LADA KALINA (2013): O PEQUENO RUSSO QUE GANHOU UMA SEGUNDA VIDA
Quando visitamos a Rússia de 2013, encontramos um automóvel muito diferente em conceito, mas igualmente importante para compreender a indústria de seu país: o Lada Kalina. Apresentado originalmente em 2004, o compacto havia se tornado um dos produtos mais populares da AvtoVAZ e, para 2013, chegava à sua segunda geração completamente renovado, com a missão de substituir o primeiro Kalina sem abandonar a fórmula de simplicidade, robustez e preço acessível que caracterizava a marca.
O novo Kalina adotava uma carroceria mais moderna e expressiva, disponível nas configurações hatchback de cinco portas e perua, enquanto a antiga carroceria sedan deixava de fazer parte da nova geração. O desenho continuava essencialmente funcional, mas apresentava uma evolução considerável em relação ao antecessor, com faróis maiores, grade frontal mais integrada, superfícies laterais mais limpas e lanternas traseiras posicionadas verticalmente na versão hatchback. Com 3.893 mm de comprimento, 1.700 mm de largura e 1.500 mm de altura, o modelo permanecia compacto e particularmente adequado às condições das grandes cidades russas.
A plataforma era uma evolução profundamente revisada da arquitetura utilizada pelo primeiro Kalina, e a AvtoVAZ havia trabalhado especialmente em aspectos como isolamento acústico, suspensão, ergonomia e acabamento. A cabine, embora ainda distante do padrão dos compactos ocidentais mais sofisticados, representava um avanço importante para a Lada, com painel redesenhado, comandos mais modernos e equipamentos que incluíam, dependendo da versão, ar-condicionado, sistema multimídia com tela sensível ao toque, Bluetooth, navegador, bancos dianteiros aquecidos e volante multifuncional.
A oferta mecânica começava com o conhecido motor 1.6 de 4 cilindros, disponível em diferentes níveis de potência. Na configuração básica, o propulsor de oito válvulas desenvolvia cerca de 87 cv, enquanto versões de 16 válvulas chegavam a cerca de 98 cv ou 106 cv. A transmissão manual de 5 velocidades era a opção tradicional, mas o novo Kalina também podia receber uma transmissão automatizada de 5 relações, uma solução desenvolvida para oferecer maior conveniência sem os custos e a complexidade de uma transmissão automática convencional.
Uma das grandes novidades da segunda geração era justamente a preocupação maior com equipamentos de segurança e conforto. Dependendo da versão, o Kalina podia contar com ABS, airbags frontais, controle eletrônico de estabilidade e sistema de assistência à frenagem, recursos que começavam a se tornar cada vez mais importantes mesmo entre os automóveis compactos de preço baixo. A suspensão dianteira independente tipo McPherson e o eixo traseiro semi-independente mantinham a simplicidade mecânica, enquanto a calibração procurava lidar com uma realidade particularmente severa: estradas de qualidade variável, temperaturas extremas e utilização intensa.
A versão perua merecia atenção especial. Com sua carroceria mais alta e funcional, o Kalina Universal oferecia espaço significativamente maior para bagagem e se encaixava perfeitamente na tradição russa de automóveis compactos extremamente práticos. Já o hatchback procurava assumir uma personalidade um pouco mais jovem, sobretudo nas versões equipadas com o motor de 106 cv.
E havia uma derivação particularmente interessante: o Kalina Sport. Preparado pela Lada Sport, ele recebia suspensão recalibrada, rodas maiores, alterações aerodinâmicas e uma apresentação visual mais agressiva. Com o motor 1.6 16V de aproximadamente 118 cv, tornou-se uma espécie de interpretação esportiva de um dos modelos mais populares da marca. Não era um hot hatch no sentido ocidental mais tradicional, mas oferecia uma experiência consideravelmente mais divertida sem abandonar a mecânica simples do Kalina.
O modelo também tinha uma importância estratégica para a AvtoVAZ. Durante os anos 2010, o fabricante de Togliatti procurava modernizar sua gama e aproximar a Lada dos padrões internacionais, contando inclusive com a influência crescente da aliança Renault-Nissan. O Kalina de segunda geração fazia parte dessa transformação e ajudou a estabelecer uma ponte entre os Ladas tradicionalmente espartanos e uma nova geração de produtos mais modernos.
Em 2013, portanto, o Lada Kalina representava muito bem a Rússia automobilística daquele período: um carro compacto, racional, relativamente barato e construído para suportar condições difíceis, mas que começava a incorporar tecnologias e equipamentos que até pouco tempo antes pareciam incompatíveis com um Lada. Não possuía um glamour, mas tinha uma importância talvez ainda maior para a vida cotidiana de milhões de condutores russos. Era, acima de tudo, um automóvel concebido para trabalhar - e continuar trabalhando - onde outros poderiam desistir.