LAMBORGHINI 350 GTS (1965): A RARA EVOLUÇÃO ABERTA DO PRIMEIRO LAMBORGHINI
Em meados dos anos 1960, a Lamborghini ainda era um fabricante extremamente jovem, mas já havia conseguido estabelecer uma reputação extraordinária no segmento dos esportivos de alto desempenho. Depois de apresentar o 350 GT em 1964, primeiro modelo de produção da marca de Sant’Agata Bolognese, Ferruccio Lamborghini decidiu explorar uma possibilidade particularmente atraente: transformar o elegante grand tourer de quatro lugares em um esportivo aberto. O resultado foi o Lamborghini 350 GTS, apresentado em 1965 e produzido em quantidade extremamente limitada.
A responsabilidade pelo desenvolvimento da carroceria ficou novamente ligada à Carrozzeria Touring, responsável pelo desenho e construção do 350 GT. A transformação não consistiu simplesmente em retirar o teto. O GTS recebeu uma nova configuração traseira, para-brisa mais baixo e uma silhueta cuidadosamente redesenhada para preservar as proporções elegantes do GT original. A capota podia ser armazenada atrás dos bancos, enquanto uma cobertura rígida podia ser instalada quando o automóvel fosse utilizado com a capota recolhida. O resultado era um grand tourer de aparência extraordinariamente limpa, com longos balanços, capô baixo e uma cabine recuada que transmitia a sensação de velocidade mesmo quando o carro estava parado.
Sob o capô permanecia uma das grandes estrelas da jovem Lamborghini: o V12 de 3.5 litros, projetado por Giotto Bizzarrini e posteriormente desenvolvido por Paolo Stanzani e Bob Wallace para utilização em produção. Com 3.464 cm³, o motor de 12 cilindros em V utilizava quatro eixos comando de válvulas, dois por bancada, e seis carburadores Weber. No 350 GT, a unidade desenvolvia aproximadamente 320 cv, potência que colocava o Lamborghini entre os automóveis de rua mais rápidos de sua época. A força era enviada às rodas traseiras por uma transmissão manual de 5 velocidades.
No GTS, entretanto, o caráter do conjunto era ainda mais especial. O automóvel conservava a sofisticada arquitetura mecânica do 350 GT, incluindo suspensão independente nas quatro rodas, freios a disco e direção de comportamento preciso. O chassi era derivado do modelo fechado, mas a carroceria aberta proporcionava uma experiência completamente diferente ao condutor, permitindo ouvir diretamente a extraordinária sonoridade do V12. Para um automóvel de 1965, a combinação de refinamento, potência e comportamento dinâmico era impressionante.
O 350 GTS também é um dos Lamborghinis mais raros da história. Apenas dois exemplares foram construídos originalmente, ambos destinados a clientes muito especiais. Um deles, chassi 10101, foi entregue originalmente em uma configuração verde metálica e posteriormente passou por diferentes proprietários e modificações. O outro, chassi 10201, recebeu acabamento preto com interior vermelho e permaneceu durante décadas como uma das peças mais extraordinárias da coleção histórica da Lamborghini. A existência de apenas dois exemplares torna o GTS muito mais raro que o já exclusivo 350 GT.
A curta trajetória do modelo também revela como a Lamborghini estava experimentando diferentes caminhos nos primeiros anos de sua história. O 350 GT havia sido concebido como um grand tourer sofisticado, capaz de combinar desempenho com conforto e utilização relativamente civilizada. O GTS levava essa proposta para uma direção mais emocional, aproximando o automóvel da tradição dos grandes conversíveis italianos. Pouco depois, a Lamborghini apresentaria o 400 GT, evolução do 350 GT com motor de maior cilindrada, e começaria a preparar o terreno para o surgimento de modelos que transformariam definitivamente sua imagem.
O desenho do 350 GTS é particularmente significativo nesse processo. Ele ainda não possui a agressividade visual que posteriormente se tornaria característica da Lamborghini. Não há entradas de ar enormes, formas angulosas ou soluções extravagantes. Pelo contrário: suas linhas são suaves, equilibradas e essencialmente italianas, com uma elegância que remete aos grandes grand tourers europeus. É justamente essa discrição que faz o carro tão interessante. Sob uma carroceria aparentemente delicada encontra-se um V12 de 320 cv, capaz de transformar o refinado conversível em uma máquina de desempenho genuinamente elevado.
O Lamborghini 350 GTS de 1965 é, portanto, muito mais do que uma rara variação aberta do primeiro modelo de produção da Lamborghini. Ele é um retrato da marca em seu momento de formação, quando Ferruccio Lamborghini ainda procurava definir exatamente que tipo de fabricante pretendia ser. O resultado foi um automóvel produzido praticamente de forma experimental, mas que antecipava uma característica que acompanharia a Lamborghini por décadas: a capacidade de combinar engenharia sofisticada, desempenho extraordinário e uma carroceria italiana de enorme impacto visual. Com apenas dois exemplares, o 350 GTS permanece como uma das mais preciosas testemunhas dos primeiros e decisivos capítulos da história de SantAgata Bolognese.