LIBERDADE AO AR LIVRE: O RENAULT 4 PLEIN AIR E O ESPÍRITO DESCONTRAÍDO DE 1969
Na França dos anos 1960, em pleno clima de leveza e mudança cultural, surgiu um dos automóveis mais simpáticos e inusitados já produzidos pela Renault: o Renault 4 Plein Air, lançado em 1969. O pequeno Renault traduzia um outro lado do espírito francês da época - jovem, informal e voltado para o lazer.
Derivado do onipresente Renault 4, apresentado originalmente em 1961 como um carro simples, robusto e versátil, o Plein Air nasceu da ideia de criar um veículo recreativo, ideal para praias, campos e estações de veraneio. Inspirado no sucesso do Citroën Méhari, ele mantinha a base mecânica do R4, mas abandonava portas e teto em favor de uma proposta totalmente aberta, pensada para o contato direto com o ambiente.
Visualmente, o Plein Air era imediatamente reconhecível. As portas foram substituídas por simples correntes metálicas, o teto foi eliminado e o para-brisa podia ser rebatido, reforçando o caráter lúdico do modelo. A carroceria, em aço, conservava as linhas essenciais do Renault 4, enquanto o interior era reduzido ao indispensável, privilegiando a praticidade e a facilidade de limpeza.
Mecanicamente, o Renault 4 Plein Air utilizava o conhecido motor de 4 cilindros e 845 cm³, com cerca de 32 cv, acoplado à uma tração dianteira - solução ainda relativamente ousada no início da década. O desempenho era modesto, mas adequado à proposta: mais importante do que a velocidade era a capacidade de circular com simplicidade por estradas de terra, vilarejos costeiros e caminhos improvisados.
Apesar de seu charme e conceito alinhado com o espírito de 1968, o Plein Air teve vida curta. Produzido em números bastante limitados, nunca alcançou grande sucesso comercial, em parte devido ao preço elevado em relação ao Renault 4 convencional e à forte concorrência do Méhari, mais leve e mais barato.
Hoje, justamente por sua baixa produção e visual descontraído, o Renault 4 Plein Air é um dos derivados mais raros e valorizados da família R4. Exemplares bem preservados são presença constante em encontros de clássicos à beira-mar, onde continuam cumprindo sua missão original: celebrar o prazer de dirigir sem formalidades.