LOLA T70S (2026): O RENASCIMENTO DE UM ÍCONE DAS PISTAS
Há nomes que ecoam na história do automobilismo como verdadeiros marcos - e a Lola Cars certamente é um deles. Fundada por Eric Broadley nos anos 1950, a marca britânica construiu sua reputação nas pistas, especialmente durante a década de 1960, quando seus protótipos dominaram categorias de endurance. Entre eles, o lendário T70 tornou-se um símbolo de velocidade bruta e engenharia direta. Agora, em pleno 2026, esse mito retorna à vida sob a forma do impressionante T70S.
O novo Lola T70S não é simplesmente uma releitura - é uma verdadeira ‘continuation series’, um programa que recria o modelo original com fidelidade quase absoluta, utilizando tecnologia contemporânea. Para isso, o fabricante partiu de desenhos originais e escaneamentos digitais de exemplares históricos, reconstruindo o carro com precisão milimétrica em ambiente CAD antes de levá-lo novamente à produção.
Visualmente, o impacto é imediato: proporções compactas, cockpit envolvente e a clássica silhueta aerodinâmica de cauda longa permanecem praticamente intocados. Trata-se de um carro que parece ter atravessado o tempo - e, de certa forma, atravessou mesmo.
Sob a carroceria, a filosofia segue fiel às origens. A versão de competição mantém um motor V8 small-block Chevrolet aspirado de cerca de 5.0 litros, entregando aproximadamente 530 cv, acoplado a uma transmissão manual Hewland de 5 velocidades. Não há eletrônica para suavizar a experiência: tudo aqui gira em torno da conexão direta entre piloto e máquina.
Com peso inferior a 900 kg, o desempenho impressiona mesmo pelos padrões atuais: aceleração de 0 a 100 km/h na casa dos 2.5 segundos e velocidade máxima superior a 320 km/h na versão de pista.
Mas talvez o aspecto mais fascinante esteja no equilíbrio entre passado e futuro. A carroceria abandona a fibra de vidro tradicional e adota um avançado sistema de compósitos sustentáveis, combinando fibras naturais, basalto vulcânico e resinas derivadas de resíduos de cana-de-açúcar - reduzindo significativamente o impacto ambiental da produção.
Para aqueles que desejam levar essa experiência além dos circuitos, a Lola também criou o T70S GT - uma versão homologada para as ruas. Nela, o V8 cresce para 6.2 litros e cerca de 500 cv, mantendo o caráter visceral, mas adicionando elementos como acabamento em Alcantara, ergonomia aprimorada e até ar-condicionado. Ainda assim, o espírito permanece intacto: minimalista, analógico e absolutamente envolvente.
A produção será extremamente limitada - apenas 16 unidades - reforçando o caráter exclusivo e quase artesanal do projeto.
Assim, o Lola T70S 2026 não tenta reinventar o passado, mas sim preservá-lo com respeito e precisão, provando que, mesmo em uma era dominada por eletrificação e assistências digitais, ainda há espaço para máquinas puras, onde cada curva e cada aceleração são vividas de forma intensa e sem filtros.
O desenvolvimento do T70S contou com a participação do ex-piloto de Fórmula 1 Johnny Herbert, que ajudou a refinar aspectos como posição de pilotagem e sensação ao volante - garantindo que, apesar da modernização, a alma do carro permanecesse exatamente onde deveria estar: nas mãos do condutor.