MAHINDRA & MAHINDRA NÃO ENCONTRA UM COMPRADOR PARA A SSANGYONG
O fabricante coreano entrou com um pedido de concordata como último passo antes de que se declare em bancarrota. Desde o dia 21 de dezembro de 2020 o seu dono, Mahindra & Mahindra Ltd., não consegue encontrar um comprador para a empresa coreana.
A relação entre SsangYong e Mahindra & Mahindra Ltd. dura quase 10 anos, quando o grupo indiano adquiriu 70% do fabricante coreano pela soma de 523 bilhões de wons, o equivalente a 2.63 bilhões de reais. Sua participação foi incrementada posteriormente para 74.65%.
Apesar de todos os esforços feitos pela SsangYong para renovar-se e ter produtos mais jovens e distantes da velha tecnologia herdada da Mercedes-Benz, a crise sanitária acelerou o seu declínio. Em dezembro passado foi incapaz de honrar vários pagamentos e obteve um período de carência de três meses.
Seu principal credor é o Banco Sul-coreano de Desenvolvimento (KDB, por suas siglas em inglês), ao qual deve 90 bilhões de wons. Também deve dinheiro a três bancos: 30 bilhões ao Bank of America, 20 bilhões ao JPMorgan Chase & Co e outros 10 bilhões ao BNP Paribas. Além disso, há outros 600 milhões em juros. A empregados e fornecedores deve outros 370 bilhões de wons.
Desde a semana passada, a SsangYong Motor Co volta a estar sob administração judicial, o mesmo processo enfrentado há uma década e que quase a levou ao desaparecimento. A Mahindra tentou emplacar um investidor, a HAAH Automotive Holdings Inc, que vislumbrava uma oportunidade para seu negócio após fracassar na importação da linha Zotye para as Américas.
Basicamente, a HAAH queria importar aos Estados Unidos carros da China, e como não pode fazer isso diretamente, seria bom contar com instalações em um país com acordo comercial com os Estados Unidos, no caso a Coreia do Sul. Mas a HAAH não apresentou a documentação requerida e o prazo se esgotou.
Agora, estando novamente sob administração judicial, a empresa precisa realizar um laudo que avalie sua viabilidade. Esse relatório financeiro será elaborado pela EY Hanyoung, calculando tudo o que é devido e ver se esse valor é inferior à avaliação da empresa. Caso contrário, será uma falência técnica: os ativos não poderão cobrir os passivos.
Outra coisa que pode ocorrer é que a autoridade judicial decida oferecer a empresa em regime de leilão e que ela fique com o melhor lance. No entanto, isso seria bastante polêmico, já que despedir cerca de 4.500 pessoas teria um impacto no Governo em função das eleições presidenciais de 2022.
A Mahindra não tem intenção de seguir investindo na SsangYong, já que tem seus próprios problemas financeiros, e se aparecer um comprador, passará toda sua participação e dará um até logo e boa sorte. A marca coreana de SUVs e crossovers perdeu dinheiro durante quatro exercícios fiscais completos e necessitava uma injeção de 500 bilhões de wons.
As possibilidades de sobrevivência da SsangYong passam por ser absorvida por outro grupo automobilístico que valorize suas instalações, capital humano e tecnológico, e que possa pagar não só o valor da empresa, mas também as dívidas acumuladas. Caso contrário, lhe restam alguns meses de vida.