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MASERATI 250F CM10: O ÚLTIMO ECO DE UMA DAS MAIORES MÁQUINAS DE GRAND PRIX DA ITÁLIA

08/10/2026

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MASERATI 250F CM10: O ÚLTIMO ECO DE UMA DAS MAIORES MÁQUINAS DE GRAND PRIX DA ITÁLIA

Quando falamos do Maserati 250F, estamos diante de um dos automóveis de competição mais emblemáticos da história da Fórmula 1. Mas o exemplar identificado como CM10 trata-se da última das recriações do 250F produzidas pelo engenheiro e entusiasta britânico Cameron Millar, concluída na década de 1990 a partir de peças Maserati originais, gabaritos de época e componentes reproduzidos. A Fiskens registra o CM10 como o décimo e último 250F construído por Millar, enquanto documentação do Maserati Club confirma que ele foi realizado como uma versão ‘Piccolo’, correspondente à evolução final do 250F de 1958.

A história começa, entretanto, em 1954, quando a Maserati precisou responder à nova regulamentação da Fórmula 1 que limitava os motores naturalmente aspirados a 2.5 litros. A solução da casa de Modena foi o 250F, uma evolução direta da experiência adquirida com os monopostos A6GCM. Seu motor era um seis-cilindros em linha de 2.493 cm³, com duplo comando de válvulas no cabeçote e três carburadores Weber, instalado em um chassi tubular associado a suspensão dianteira independente e eixo traseiro De Dion. Na configuração inicial, a potência ficava em torno de 220-240 cv, dependendo da evolução e preparação.

O nascimento competitivo do 250F foi extraordinário. A estreia aconteceu no Grande Prêmio da Argentina de 1954, e Juan Manuel Fangio levou imediatamente o novo Maserati à vitória. Poucos meses depois, Fangio voltou a vencer no Grande Prêmio da Bélgica, em Spa-Francorchamps, antes de deixar a Maserati para integrar a equipe Mercedes-Benz. O 250F, porém, continuaria sua trajetória com pilotos como Stirling Moss, Jean Behra, Luigi Musso, Harry Schell e Prince Bira, transformando-se em uma das máquinas mais importantes da chamada era clássica dos Grand Prix. 

A evolução técnica foi constante. O modelo recebeu injeção de combustível, câmbio de 5 marchas e diferentes configurações de chassi e carroceria, enquanto a Maserati experimentava maneiras de reduzir peso e baixar o centro de gravidade. Em 1956 surgiram versões mais leves e, posteriormente, o desenvolvimento culminou nos 250F de 1957 e nos chamados ‘Piccolo’, ainda mais compactos e leves, que representavam a última etapa da evolução do projeto. O 250F permaneceria competitivo mesmo diante do avanço tecnológico de Ferrari, Vanwall e Cooper.

Foi justamente a extraordinária longevidade do modelo que fascinou Cameron Millar, engenheiro, piloto e ex-oficial da RAF. Depois de adquirir seu primeiro 250F nos anos 1960, Millar reuniu uma grande quantidade de componentes originais provenientes da Maserati e da Scuderia Centro Sud, além de obter os gabaritos utilizados na construção dos chassis. Ao longo de aproximadamente três décadas, ele e posteriormente a Hall & Fowler construíram uma série de recriações extremamente fiéis. Os exemplares receberam as identificações CM1 a CM10, sendo o CM10 o último deles.

O CM10 é particularmente interessante porque não se trata simplesmente de uma réplica visual. Segundo a Fiskens, ele foi concluído nos anos 1990 e utilizou até cerca de 30% de componentes Maserati originais, além dos métodos construtivos e dimensões derivados do 250F autêntico. A proximidade com os carros históricos foi suficiente para que essas máquinas recebessem reconhecimento da FIA para participação em competições históricas, permitindo que um automóvel construído décadas depois pudesse correr lado a lado com 250Fs genuínos preservados do período.

O visual do CM10 reproduz a configuração final Piccolo, com o longo capô, nariz baixo, cockpit aberto e a característica traseira arredondada que tornou o 250F imediatamente reconhecível. A carroceria leve, originalmente associada aos trabalhos de Medardo Fantuzzi, envolvia uma mecânica extremamente compacta. Na evolução Piccolo, a preocupação com a redução de massa era ainda mais evidente, refletindo a mudança de filosofia que começava a dominar a Fórmula 1 no final dos anos 1950: carros menores, mais leves e com melhor relação entre potência e peso.

A história do próprio CM10 também ganhou um capítulo extraordinário na Austrália. O carro foi adquirido novo pelo colecionador australiano Clive Smith, em Melbourne, e posteriormente levado à Inglaterra para competir no Goodwood Revival de 2001 e 2002. Em 2001, conduzido por Rob Hall, terminou em sexto lugar geral e primeiro entre os 250F na prova Richmond & Gordon Trophies. O carro também participou do Festival of Speed de Goodwood antes de retornar à Austrália.

Mas talvez o episódio mais simbólico tenha ocorrido entre 2004 e 2007, quando o CM10 foi exibido no Grande Prêmio da Austrália, em Albert Park. Em uma dessas ocasiões, ninguém menos que Sir Stirling Moss voltou a conduzir o 250F em pista - décadas depois de ter pilotado um Maserati 250F original no mesmo país e de ter construído uma relação histórica com o modelo. É uma dessas situações em que passado e presente praticamente se encontram: Moss ao volante de uma máquina construída para preservar a essência do carro que marcou parte importante de sua carreira. 

O Maserati 250F CM10 é, portanto, uma máquina que exige uma distinção importante: trata-se de uma recriação histórica extremamente cuidadosa do mais famoso monoposto da Maserati. E justamente por isso sua história é fascinante. Ele preserva a engenharia, a aparência e o espírito de uma máquina que nasceu na Itália em 1954, evoluiu durante toda a segunda metade da década e ajudou Juan Manuel Fangio a conquistar seu quinto título mundial em 1957. Nas mãos de Cameron Millar, essa história ganhou uma espécie de segunda vida - e, no CM10, chegou ao seu último capítulo.

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1958 - MASERATI 250F CM10

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