MASERATI MERAK SS 1980: O ÚLTIMO SOPRO ESPORTIVO ANTES DAS MUDANÇAS NA MARCA
Chegando à Itália, depois de uma curta viagem pelas estradas ladeadas por ciprestes e pedras centenárias, chegamos ao coração de Modena. Aqui, no território onde a paixão automobilística parece brotar do solo, é impossível não sentir aquela vibração particular dos anos 1970 e 80 - uma época em que os esportivos italianos misturavam elegância, ousadia e um leve toque de indisciplina mecânica. É nesse cenário que surge o Maserati Merak SS, especialmente em sua versão de 1980, o último sopro esportivo antes das grandes mudanças que viriam na década seguinte.
O Merak nasceu em 1972 como o irmão mais leve e mais acessível do Bora. Mas foi em 1975, com o surgimento da versão SS (Super Sport), que o modelo mostrou sua verdadeira vocação. Em 1980, o Merak SS já estava amadurecido, refinado - e mais feroz do que nunca.
A carroceria, desenhada por Giorgetto Giugiaro, é um estudo de proporções perfeitas: baixa, afilada, equilibrada, com aquela típica cintura italiana que parece ter sido talhada a mão. Os ‘flying buttresses’ traseiros - uma assinatura visual dos Maserati da época - davam ao carro um perfil simultaneamente delicado e agressivo, como um felino pronto para saltar. A frente, fina e elegante, escondia discretamente um espírito inquieto.
Sob essa pele estilizada, o V6 de 3.0 litros entregava 220 cv na especificação SS. Pode não parecer uma avalanche numérica, mas a forma como ele subia de giro - acompanhada de um timbre áspero e metálico - fazia do Merak uma experiência sensorial rara. O motor era compacto, leve, e permitia ao carro uma dinâmica mais equilibrada que muitos rivais V8 da época. A resposta ao acelerador era viva, quase impaciente, e o Merak SS atingia facilmente a casa dos 240 km/h, números respeitáveis para um esportivo de motor central daqueles anos.
A cabine trazia um detalhe curioso: parte do painel e dos comandos vinha herdada da Citroën, fruto da parceria entre as marcas. Isso incluía indicadores geométricos, comandos hidráulicos e ergonomia… digamos, peculiar. Mas era justamente esse contraste - o estilo italiano com soluções francesas - que tornava o Merak tão singular. Um carro que dividia opiniões, mas nunca passava despercebido.
Guiar o Merak SS exigia sensibilidade. Ele era rápido, mas também honesto: falava com o condutor, informava cada irregularidade, cada mudança de peso. Era um esportivo para quem apreciava o ritual, e não apenas o resultado.