McLAREN M6GT PESSOAL DE BRUCE McLAREN FOI RESTAURADO, UMA PEÇA ÚNICA
Esta é uma das peças mais importantes da história da marca britânica como fabricante de modelos de rua, pois não só se trata de um dos únicos três exemplares fabricados do McLaren M6GT, como estamos diante do exemplar pessoal de Bruce McLaren, que acaba de ser submetido a uma trabalhosa e extensa restauração nos Estados Unidos.
Se as versões de rua do Porsche 911 GT1 e do Mercedes-AMG CLK GTR são consideradas hoje em dia una autêntica brutalidade, imagine o que seria na década de 60 (mais de meio século atrás) uma versão matriculável dos modelos que dominavam a CAN-AM naquela época. Porque isto era precisamente o McLaren M6GT, uma versão ligeiramente suave e com o mínimo de elementos necessários para poder homologar um modelo de competição para seu uso em estrada aberta.
Em princípio, este projeto de Bruce McLaren deveria significar a versão de rua para poder homologar uma versão coupe destinada ao Grupo 4 FIA do McLaren M6B que competia na CAN-AM. No entanto, as normas exigiam uma produção mínima de 50 unidades, algo que a então pequena equipe britânica era incapaz de realizar. Ainda assim, Bruce McLaren decidiu levar à rua o modelo, fabricando somente 3 unidades desta homologação especial.
Naquela época, Bruce McLaren dividia seu tempo entre as distintas competições nacionais e internacionais em ambos os lados do Atlântico, como eram os casos do Campeonato Mundial de Fórmula 1, o Mundial de Construtores (o que hoje conhecemos como a WEC) e a selvagem CAN-AM, uma especialidade célebre por sua relaxada regulamentação que permitia grande margem de manobra aos engenheiros e que deu lugar a alguns dos modelos de competição mais brutais da história, como o McLaren M8D e o Porsche 917/30. A equipe britânica dominou com mão de ferro este campeonato no final da década de 60 com o McLaren M6A e suas diferentes evoluções.
O McLaren M6GT pretendia ser uma versão coupe do McLaren M6B que foi utilizado na CAN-AM no final dos anos 60, com a intenção de competir nas 24 Horas de Le Mans e em provas similares sob a homologação do Grupo 4 FIA, destinada a modelos de produção em especialidades esportivas como Resistência e Rallys.
De modo que para homologar o modelo deveria ser produzida uma curta série de exemplares, para a qual Bruce McLaren contava com o fabricante britânico (e posteriormente escuderia de F1) Trojan, empresa encarregada de fabricar as unidades destinadas a clientes do McLaren M6A.
No entanto, após a morte de Bruce McLaren o projeto foi cancelado e da série que se pretendia produzir só ficaram os 3 primeiros protótipos, dos quais somente um deles foi fabricado a partir do zero como veículo de rua. Os outros dois foram criados a partir de chassis existentes do McLaren M6B de competição, convertendo-os em coupes. Um destino que sofreram posteriormente várias unidades do M6B.
Tendo em conta o modelo em que se baseia, não surpreende que o McLaren M6GT contasse com o aspecto de um modelo de competição sem patrocinadores. Baseado em um leve chassi de alumínio e com uma carroceria mínima, que levantava apenas um metro do solo. O habitáculo não tratava de dissimular sua origem no mundo da competição e era praticamente o mesmo cockpit que podia ser encontrado em seus irmãos de circuito, sem grandes concessões ao luxo. O resultado é basicamente um Sport-Prototipo com matrícula.
A nível mecânico, o modelo de rua também conta com o mesmo motor de origem Chevrolet montado atrás do habitáculo, como o McLaren M6B de competição. Mas neste caso se trata de um V8 de 5.7 litros no lugar da evolução do célebre bloco ZL-1 de alumínio usado na CAN-AM. Se a versão de competição superava com folga os 650 cv, o modelo de rua se conformava com 405 cv. O que permitia alcançar os 160 km/h (0-100 mph) em somente 8 segundos, com uma velocidade máxima de 265 km/h.
Dos 3 únicos chassis fabricados com esta configuração de rua, o exemplar vermelho das fotografias é o único que contava com os peculiares faróis dianteiros retráteis de acionamento manual, e além disso, foi o carro utilizado como veículo pessoal pelo próprio Bruce McLaren.
Esta unidade se encontra atualmente nos Estados Unidos, onde seu atual proprietário o submeteu a extensos trabalhos de restauração, realizados pela McLaren Chicago. E depois de terminar sua atualização decidiram preparar estas imagens do modelo para apresentar o resultado final desta peça única ao mundo.