MERCEDES-BENZ 600: O GRANDE SEDAN ALEMÃO QUE FEZ HISTÓRIA NA MARCA
Há 60 anos que o fabricante alemão apresentou pela primeira vez o ‘Grand Mercedes-Benz’ 600 W100, um modelo que marcou a história do automóvel e da própria marca da estrela.
O ‘600’ manteve sua posição como referência internacional da classe mais destacada e luxuosa durante quase duas décadas, até o final do período de produção de 17 anos, em 1981.
Esta posição esteve assegurada durante todo este tempo graças a uma tecnologia excepcional, um conforto requintado, uma excelente condução e uma aparência mais que impressionante. Os compradores do sedan de prestígio procediam de todo o mundo. Incluíam membros da realeza, chefes de estado e celebridades da indústria e do mundo do espetáculo.
Os veículos da série W100 eram produzidos na fábrica de Sindelfingen. A Mercedes-Benz implementou os desejos individuais e mais peculiares dos clientes neste modelo, sempre que não alterassem o caráter básico do automóvel nem prejudicassem sua segurança. Isso aconteceu em cada uma das 2.677 unidades do Mercedes-Benz 600 construídas - 487 delas da versão Pullman - todas com a característica de um modelo único. Muitos se converteram em artigos de coleção depois de seu período de uso.
O Mercedes-Benz 600 foi fabricado a partir de setembro de 1964. Desde o início o sedan foi oferecido com uma distância entre os eixos normal de 3.200 mm e o sedan Pullman com 3.900 mm.
Houve versões de alta segurança de ambos com carrocerias blindadas de 1965 em diante. Posteriormente, foram acrescentadas à oferta as versões de carroceria Pullman Landaulet e Pullman Limousine, que se destacavam ainda mais graças à presença de nada menos que seis portas.
A maioria dos Mercedes-Benz 600, 743 veículos no total, foram entregues nos Estados Unidos. Em seguida a Alemanha com 589 unidades, França com 151 unidades e Reino Unido com 126 unidades. Algumas delas acabaram em outros países como presentes ou compra específica e privada.
Cabe destacar a presença de duas unidades únicas e muito especiais feitas na medida. Trata-se de um Landaulet de chassi longo para o Papa Paulo VI e um Landaulet de chassi curto para o Conde Berckheim.
A lista de preços de 1964 revelava um preço de 56.500 marcos alemães para o sedan e 63.500 marcos alemães para o sedan Pullman. Para que se tenha uma ideia, é preciso fazer uma pequena comparação de preços. O elegante sedan de luxo Mercedes-Benz 300 SE longo (W112) com transmissão automática e que era o topo da linha da marca naquela época, custava 27.800 marcos alemães.
O Mercedes-Benz 600 apareceu na lista de preços pela última vez em 1979 quando custava 144.368 marcos alemães, o sedan Pullman 165.760 marcos alemães e a limousine Pullman de seis portas 175.720 marcos alemães.
Para poder comparar, nessa época, o sedan de alto desempenho Mercedes-Benz 450 SEL 6.9 (W116) estava disponível em 1979 por 78.999 marcos alemães.
O conceito do 600 tomou forma oito anos antes de sua estreia mundial. Em meados de 1955, o engenheiro-chefe da Mercedes-Benz, Fritz Nallinger, definiu os dados fundamentais para o grupo de construção C, para o “futuro grupo de grandes carros de passeio e veículos de prestígio”.
O automóvel era propulsionado por um motor V8, o primeiro que foi montado em um automóvel de passageiros Mercedes-Benz. O primeiro espécime começou no banco de testes no final de 1959. O motor de produção, denominado M 100, finalmente recebeu uma cilindrada de 6.3 litros e produzia 250 cv. Este motor também foi utilizado no Mercedes-Benz 300 SEL 6.3 (W109) sem alterações de potência.
O design do Mercedes-Benz 600 foi criado sob a direção de Friedrich Geiger, embora Paul Bracq tenha desempenhado um papel importante. O diretor de tecnologia, o professor Fritz Nallinger, participou intensamente no projeto do novo produto superior da Mercedes-Benz durante o desenvolvimento. O design deixava claro que o veículo era dirigido a pessoas especiais. No interior, os passageiros podiam esperar uma atmosfera de luxo.
No final da década de 1950, uma grande carroceria e um bom desempenho de condução não eram os únicos pontos esperados de um ‘Grand Mercedes’. Esperava-se mais de um Mercedes-Benz. A marca aceitou o desafio de tornar possível o impossível. Werner Breitschwerdt, que logo se tornou presidente do conselho de administração, disse em retrospectiva sobre o Type 600 no final da década de 1980: “Na época, queríamos construir um automóvel que pudesse fazer tudo que fosse possível, queríamos que fosse capaz de fazer mais que qualquer outro automóvel, para o condutor e o passageiro”.
Foi utilizado um sistema hidráulico para o fechamento das portas; tração do teto corrediço; vidros elétricos; operação de divisão interna; operação de arranque; abrir e fechar as aletas de aquecimento e ventilação; ajuste de bancos dianteiros e traseiros; ajuste de amortecedores; liberação do freio de estacionamento.
A fusão da suspensão pneumática com os braços transversais dianteiros e o eixo basculante de uma só articulação com braços de impulso adicional rebaixados com suporte de torque de frenagem, assim como duas ponteiras transversais e suspensão dupla junto com os amortecedores ajustáveis, proporcionava uma condução que foi classificada como a melhor das melhores.
Os engenheiros dedicaram uma atenção especial ao sistema de freios. O modelo 600 tinha freios a disco de duplo circuito nas partes dianteira e traseira. Sobre cada um dos discos dianteiros de 291 mm atuavam duas pinças de freio.
Os pneus de camadas cruzadas de tamanho 9 x 15 foram especialmente projetados pela Fulda e pela Continental para o sedan.
O valor Cd de 0.458 era surpreendentemente bom para o 600. Em comparação, o Mercedes-Benz 230 SL ‘Pagoda’ (W113) com teto rígido conseguiu um Cd de 0.515 e o modelo 190 SL (W121) com teto rígido conseguiu um Cd de 0.461.
O desempenho também era de outro mundo, já que o modelo era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 9.7 segundos. A velocidade máxima era de 205 km/h.
Além de tudo isso, o modelo era uma joia visual que pode ser apreciado nas imagens abaixo.