MERCEDES-BENZ E 55 AMG (2005): A DISCRETA BRUTALIDADE DO MOTOR V8 KOMPRESSOR
No começo dos anos 2000, a Mercedes-Benz transformou seu tradicional E Class em uma das mais impressionantes máquinas de alto desempenho da época. Apresentado em 2002 sobre a geração W211, o E 55 AMG combinava a aparência relativamente discreta de um sedan executivo com uma mecânica capaz de enfrentar esportivos de alto nível. Em 2005, já plenamente estabelecido na gama, ele representava o auge da filosofia AMG antes da chegada do E 63 com motor aspirado. A própria Mercedes-Benz classificava o E 55 AMG como o E Class mais potente produzido até então.
Sob o capô estava o extraordinário V8 M113 E55 ML, de 5.439 cm³, equipado com um compressor mecânico do tipo Lysholm, instalado entre as bancadas de cilindros. O sistema trabalhava com pressão de até aproximadamente 0.9 bar e utilizava um intercooler do tipo ar-água integrado ao módulo de sobrealimentação. Com três válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e injeção eletrônica multiponto, o motor entregava 476 cv a 6.100 rpm e impressionantes 700 Nm de torque entre 2.650 e 4.500 rpm.
A transmissão era a automática 5G-Tronic de 5 velocidades, equipada com o sistema AMG Speedshift, que permitia ao condutor realizar mudanças manuais por meio dos comandos apropriados. A força era enviada exclusivamente às rodas traseiras, uma combinação que exigia respeito quando os 700 Nm chegavam de maneira praticamente instantânea. O conjunto permitia acelerar de 0 a 100 km/h em 4.7 segundos, enquanto a velocidade máxima era eletronicamente limitada a 250 km/h.
Para controlar tamanha potência, a AMG modificou profundamente o chassi do W211. A suspensão recebeu calibração esportiva específica, enquanto o sistema de freios ganhou enormes discos ventilados de alto desempenho. O E 55 AMG utilizava pneus 245/40 ZR18 na dianteira e 265/35 ZR18 na traseira, montados em rodas AMG de liga leve de desenho exclusivo. A carroceria também recebeu saias laterais, para-choques específicos e quatro saídas de escapamento, mas sem abandonar a elegância sóbria que sempre caracterizou o E Class.
Por dentro, a transformação era igualmente discreta. Os bancos esportivos AMG, revestidos em combinações de Nappa e Nubuck, ofereciam maior apoio lateral, enquanto o volante esportivo e o painel de instrumentos recebiam elementos específicos da divisão de Affalterbach. O velocímetro chegava a 320 km/h, lembrando ao condutor que aquele sedan aparentemente comportado escondia uma máquina muito mais séria.
O W211 E 55 AMG também se beneficiava da arquitetura moderna do E Class, com suspensão independente e sofisticado eixo traseiro multilink. Com cerca de 4.830 mm de comprimento, entre-eixos de 2.854 mm e peso na casa dos 1.760 a 1.810 kg, não era um automóvel leve, mas a enorme potência compensava amplamente sua massa. A relação entre potência e peso ficava próxima de 3.7 kg/cv, número que explica boa parte de seu desempenho extraordinário.
O mais fascinante no Mercedes-Benz E 55 AMG de 2005 era justamente a contradição que definia sua personalidade. Durante uma viagem tranquila, ele podia comportar-se como um refinado sedan executivo, silencioso, confortável e espaçoso. Bastava, porém, pressionar o acelerador para que o V8 sobrealimentado despertasse e transformasse o automóvel em uma verdadeira catapulta, acompanhada pelo característico som grave do compressor e do sistema de escapamento AMG.
Produzido até 2006, o E 55 AMG W211 tornou-se uma espécie de símbolo da era em que a Mercedes-AMG ainda conseguia esconder uma quantidade absurda de desempenho dentro de uma carroceria relativamente conservadora. Seu V8 5.5 Kompressor de 476 cv, os 700 Nm e a aceleração inferior a cinco segundos fizeram dele um dos sedans mais rápidos de sua geração, mas talvez sua maior qualidade esteja na maneira como conseguia reunir esse desempenho com o conforto e a sofisticação esperados de um E Class. Foi, em essência, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro - e um dos grandes representantes da AMG antes da transformação que a divisão alemã viveria nas décadas seguintes.