MG M-TYPE MIDGET (1931): O PEQUENO ESPORTIVO QUE AJUDOU A CONSTRUIR UMA GRANDE TRADIÇÃO BRITÂNICA
Na Inglaterra do início da década de 1930, quando o automóvel ainda era um artigo relativamente caro e os esportivos estavam geralmente associados a fabricantes especializados e modelos de elevado preço, uma pequena empresa britânica começava a estabelecer uma identidade que se tornaria mundialmente reconhecida. A MG, sob a liderança de Cecil Kimber, apostava em uma fórmula bastante particular: automóveis compactos, leves, com aparência esportiva e preços relativamente acessíveis. Um dos resultados mais importantes dessa filosofia foi o MG M-Type Midget de 1931, um pequeno roadster que ajudou a popularizar a ideia do esportivo britânico para uma geração de entusiastas.
A origem do M-Type remonta a 1928, quando a MG decidiu desenvolver um automóvel esportivo baseado no recém-apresentado Morris Minor. Cecil Kimber percebeu que existia uma oportunidade de mercado para um pequeno modelo de dois lugares, capaz de oferecer uma experiência de condução mais esportiva sem os custos normalmente associados aos automóveis de competição. Apresentado no Salão de Londres de Olympia, em outubro de 1928, o Midget despertou grande interesse e iniciou sua produção em série em abril de 1929. A fabricação começou em Oxford e posteriormente foi transferida para as instalações da MG em Abingdon, que se tornariam o centro da atividade industrial da marca durante décadas.
A carroceria era um dos elementos mais encantadores do pequeno MG. Com apenas dois lugares, apresentava capô alongado em relação às dimensões gerais, para-lamas destacados, rodas raiadas e uma traseira afilada no característico estilo boat-tail, inspirado nas pequenas embarcações esportivas. A primeira configuração utilizava uma estrutura revestida por painéis de tecido sobre armação de madeira, solução leve e econômica. Posteriormente, os últimos exemplares passaram a receber carrocerias com painéis metálicos. O para-brisa em formato de V, as laterais do capô com numerosas aberturas de ventilação e o radiador vertical com o tradicional emblema octogonal completavam uma aparência inconfundivelmente britânica.
O habitáculo seguia a mesma filosofia de simplicidade. O condutor encontrava um painel bastante compacto, com instrumentos circulares, comandos básicos e volante de grandes dimensões, enquanto os bancos individuais ofereciam acomodação adequada para duas pessoas. A capota de lona removível e as cortinas laterais protegiam os ocupantes das intempéries, embora a experiência de condução fosse essencialmente aberta. Não havia luxo supérfluo: o M-Type havia sido concebido para proporcionar prazer ao volante com o mínimo de peso e complexidade.
A mecânica utilizava um motor de 4 cilindros em linha, refrigerado a água, com 847 cm³ de cilindrada, derivado da unidade empregada no Morris Minor, mas adaptado para a aplicação esportiva. Um dos aspectos mais interessantes era o comando de válvulas no cabeçote (OHC), acionado por um eixo vertical ligado ao sistema do dínamo. Alimentado por um carburador SU, o pequeno propulsor desenvolvia inicialmente 20 cv, potência que foi progressivamente elevada até aproximadamente 27 cv a 4.500 rpm nas versões mais desenvolvidas. A transmissão manual de 3 velocidades, sem sincronização, enviava a força às rodas traseiras.
O chassi de longarinas de aço possuía construção convencional, com entre-eixos de apenas 1.981 mm. A suspensão utilizava molas semielípticas nos dois eixos, complementadas por amortecedores de fricção Hartford. Os freios eram a tambor, acionados mecanicamente por cabos, uma solução bastante comum naquele período. Com peso reduzido e dimensões diminutas, o Midget oferecia uma condução ágil e comunicativa, especialmente nas estradas estreitas e sinuosas do interior britânico. Sua velocidade máxima, nas versões mais desenvolvidas, aproximava-se de 110 km/h, um desempenho respeitável para um automóvel de sua categoria no início dos anos 1930.
O envolvimento esportivo foi fundamental para a reputação do M-Type. Seus proprietários rapidamente passaram a participar de provas de regularidade, subidas de montanha e competições em circuitos. Em 1930, exemplares preparados participaram da exigente prova de resistência Brooklands Double Twelve, conquistando resultados expressivos e demonstrando que o pequeno MG possuía qualidades que iam muito além de sua aparência simpática. Também houve participações em provas internacionais, incluindo o Rally de Monte Carlo e as 24 Horas de Le Mans. A experiência adquirida nas competições ajudou a consolidar a identidade esportiva da MG e abriu caminho para uma sucessão de modelos cada vez mais especializados.
Em 1931, o M-Type já havia passado por diversas evoluções, incluindo melhorias na potência do motor e alterações construtivas na carroceria. Sua produção prosseguiria até 1932, alcançando aproximadamente 3.235 unidades. A linha também deu origem a configurações especiais, incluindo pequenas séries de coupés Sportsmans, enquanto versões preparadas para competição demonstravam o potencial da plataforma. O modelo seria sucedido por outros integrantes da família Midget, como os C-Type, D-Type e J-Type, que ampliariam a presença da MG no universo dos esportivos britânicos.
O MG M-Type Midget de 1931 representa, portanto, um capítulo essencial na história dos automóveis esportivos acessíveis. Pequeno, mecanicamente simples e dotado de uma personalidade inconfundível, ajudou a estabelecer uma fórmula que a indústria britânica aperfeiçoaria ao longo de décadas: dois lugares, baixo peso, motor dianteiro, tração traseira e uma experiência de condução que privilegiava a participação do condutor. Mais do que um pequeno roadster, foi um dos automóveis responsáveis por transformar a MG em uma das marcas mais emblemáticas da tradição esportiva britânica.

















