MG MGF ROADSTER (2001): O RENASCIMENTO DA TRADIÇÃO ESPORTIVA BRITÂNICA COM MOTOR CENTRAL
No início do século XXI, a MG ainda procurava reafirmar sua identidade como fabricante de esportivos britânicos, e poucos modelos representaram essa tentativa de renascimento tão bem quanto o MG MGF Roadster. Apresentado em 1995 como o primeiro esportivo inteiramente novo da marca em décadas, o MGF rompeu com a tradicional arquitetura de motor dianteiro e tração traseira que havia caracterizado modelos como o MGB e adotou uma configuração muito mais sofisticada: motor central transversal, tração traseira e suspensão Hydragas. Em 2001, já plenamente estabelecido no mercado, o pequeno conversível continuava sendo uma das propostas mais interessantes entre os roadsters europeus de preço relativamente acessível.
O desenho desenvolvido sob a direção de Gerry McGovern mantinha proporções clássicas de um roadster, mas apresentava uma interpretação claramente contemporânea. O capô curto, a cabine recuada, os balanços reduzidos e a traseira compacta denunciavam a presença do motor atrás dos ocupantes. Com apenas dois lugares, para-brisa inclinado e capota de lona retrátil, o MGF conseguia combinar a tradição visual da MG com uma arquitetura que o aproximava conceitualmente de esportivos como o Toyota MR2. As entradas de ar laterais, necessárias para alimentar e refrigerar o conjunto mecânico central, também contribuíam para sua identidade.
Em 2001, a gama oferecia diferentes versões do motor Rover K-Series de 4 cilindros, mas o destaque ficava para o 1.8 VVC, equipado com comando de válvulas continuamente variável. Com 1.796 cm³, esse motor desenvolvia aproximadamente 145 cv a 7.000 rpm e cerca de 174 Nm de torque, permitindo ao roadster acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente 7.0 segundos e alcançar cerca de 210 km/h. A versão convencional 1.8i entregava aproximadamente 120 cv, enquanto o VVC acrescentava uma dose considerável de desempenho sem abandonar a suavidade necessária ao uso cotidiano.
A verdadeira personalidade do MGF, porém, estava no chassi. Em vez de simplesmente reproduzir uma suspensão convencional, os engenheiros da Rover utilizaram uma evolução do sistema Hydragas, no qual unidades hidráulicas interligadas por gás nitrogênio funcionavam como elementos elásticos. O sistema proporcionava uma combinação interessante de conforto e controle de carroceria, algo particularmente importante em um esportivo de entre-eixos curto. Na dianteira e na traseira, a distribuição das massas beneficiada pelo motor central contribuía para um comportamento bastante equilibrado.
Essa arquitetura colocava o MGF em uma posição especial dentro do mercado. O motor central significava menor momento polar de inércia e distribuição de peso mais favorável, permitindo mudanças rápidas de direção e oferecendo ao condutor uma sensação de equilíbrio que dificilmente seria encontrada em um tradicional roadster de motor dianteiro. A direção de pinhão e cremalheira, a suspensão independente nas quatro rodas e os freios a disco completavam um conjunto claramente voltado ao prazer de dirigir.
O interior, embora compacto, apresentava uma atmosfera mais refinada do que a de muitos esportivos britânicos anteriores. O painel envolvente, os instrumentos de desenho clássico e a posição baixa de condução criavam uma conexão imediata com o automóvel. Bancos individuais, acabamento em couro disponível e equipamentos de conforto demonstravam que a MG pretendia fazer do MGF não apenas um brinquedo para os fins de semana, mas também um roadster utilizável diariamente. O porta-malas dianteiro e o compartimento adicional atrás dos bancos ainda ofereciam uma capacidade de bagagem surpreendentemente razoável para um esportivo de dois lugares.
O ano de 2001 também pertence à fase em que o MGF começava a receber importantes aperfeiçoamentos de acabamento e equipamento. A MG Rover trabalhava para manter o modelo competitivo diante de rivais como Mazda MX-5, Toyota MR2 e FIAT Barchetta. A fórmula permanecia essencialmente a mesma: baixo peso, motor relativamente compacto, tração traseira e teto aberto, mas agora acompanhada de tecnologia muito mais sofisticada que aquela disponível nos MG clássicos.
Mais de 77 mil unidades do MGF seriam produzidas durante sua carreira, encerrada em 2002, quando o modelo foi substituído pelo MG TF. Seu significado histórico, entretanto, vai além dos números. O MGF mostrou que a tradicional marca britânica ainda podia produzir um esportivo genuinamente interessante depois de décadas de ausência de um projeto completamente novo. Foi o carro que reconectou a MG à ideia de um roadster moderno, preservando o espírito dos antigos MGs, mas reinterpretando-o por meio do motor central e de uma engenharia muito mais contemporânea.
O MGF de 2001 permanece, por isso, como uma espécie de ponte entre duas eras. De um lado, carregava o charme, a simplicidade conceitual e a tradição dos antigos MG de dois lugares; de outro, apresentava uma arquitetura mecânica moderna, sofisticada e particularmente bem adaptada ao prazer de dirigir. Não tinha a potência de um superesportivo nem pretendia tê-la. Sua proposta era outra: ser leve, equilibrado e divertido - exatamente como um bom roadster britânico deve ser.