MITSUBISHI ASX VR-e (2027): O RETORNO DA MITSUBISHI AO UNIVERSO DOS ELÉTRICOS
A Mitsubishi está prestes a iniciar uma nova etapa de sua eletrificação na Austrália com o ASX VR-e 2027, um novo SUV compacto totalmente elétrico que marca o retorno da marca japonesa ao mercado australiano de veículos a bateria desde o pequeno i-MiEV. Anunciado oficialmente em agosto, o modelo será lançado na Austrália e na Nova Zelândia no quarto trimestre de 2026 e chegará às concessionárias como um produto bastante particular: embora carregue o tradicional nome ASX, sua origem está em uma parceria com a taiwanesa Foxtron Vehicle Technologies, que fornecerá o veículo em regime de produção OEM.
O nome é, aliás, uma combinação deliberada entre passado e futuro. ASX mantém a denominação Active Sports Crossover, tradicionalmente associada ao SUV compacto da Mitsubishi nesses mercados, enquanto VR-e resgata a memória do lendário Galant VR-4, sedan esportivo de tração integral que marcou a história da marca e ajudou a pavimentar o caminho tecnológico que posteriormente levaria ao Lancer Evolution. O ‘e’ acrescentado ao final estabelece a ligação com a propulsão elétrica. A Mitsubishi pretende, assim, transmitir ao novo modelo uma personalidade mais dinâmica do que a de um simples SUV elétrico urbano.
Apesar do nome conhecido, o novo ASX VR-e não tem relação técnica com o atual ASX baseado no Renault Captur vendido na Austrália. O elétrico nasce da plataforma do Foxtron Bria, desenvolvida pela empresa formada pelo grupo Foxconn e pelo fabricante taiwanês Yulon. O modelo mede aproximadamente 4.315 mm de comprimento, 1.885 mm de largura, 1.535 mm de altura e 2.800 mm de entre-eixos, dimensões que o colocam no território dos SUVs compactos, embora sua silhueta seja mais baixa e esportiva do que a de um utilitário convencional.
A Mitsubishi, contudo, procurou imprimir sua própria identidade ao produto. O desenho externo recebeu alterações específicas, desenvolvidas com participação da Pininfarina, incluindo elementos próprios nas extremidades dianteira e traseira, rodas exclusivas e novos acabamentos. A aerodinâmica também ganhou atenção especial: um curioso S-Duct conduz o ar a partir da região central do para-choque dianteiro para a superfície do capô, enquanto persianas ativas na grade frontal regulam o fluxo de ar de acordo com as necessidades de refrigeração e velocidade, reduzindo a resistência aerodinâmica quando possível. Os grupos ópticos, os pilares traseiros e outros detalhes da carroceria utilizam motivos horizontais que procuram criar uma assinatura visual própria.
A Mitsubishi também não se limitou a trocar os emblemas. Engenheiros da marca realizaram extensos testes nas condições de rodagem australianas e desenvolveram uma calibração específica da suspensão, buscando maior capacidade de acompanhamento do piso, estabilidade e resposta aos comandos do condutor. É justamente essa intervenção no chassi que a marca utiliza para justificar a presença das letras ‘VR’ no nome, prometendo um comportamento mais esportivo e envolvente do que seria esperado de um pequeno crossover elétrico.
No interior, a inspiração no Foxtron Bria permanece mais evidente. O painel apresenta desenho minimalista, com instrumentação digital e uma grande tela central flutuante para o sistema de entretenimento, acompanhada por comandos físicos de acesso rápido. O ambiente recebeu acabamentos específicos da Mitsubishi, mas mantém a arquitetura básica do modelo taiwanês. A proposta é combinar a simplicidade visual típica dos elétricos modernos com uma interface tecnológica capaz de concentrar boa parte das funções do veículo.
A grande incógnita, por enquanto, está justamente na ficha técnica definitiva do ASX VR-e. A Mitsubishi ainda não divulgou oficialmente capacidade da bateria, autonomia, potência, torque ou tempos de recarga para a versão australiana. Como referência, entretanto, o Foxtron Bria utiliza uma bateria de aproximadamente 57.5-57.7 kWh, com configuração de motor traseiro capaz de produzir cerca de 229 cv, enquanto a versão de dois motores chega a aproximadamente 400 cv e tração integral. A imprensa especializada considera provável que o Mitsubishi utilize a mesma arquitetura, mas esses números ainda não foram confirmados oficialmente pela marca e, portanto, devem ser tratados como referência, não como especificação definitiva do ASX VR-e.
Na Austrália, o novo elétrico será oferecido em quatro níveis de acabamento: LS, Aspire, Exceed e GSR, ampliando a possibilidade de posicioná-lo desde uma configuração mais acessível até uma versão de caráter esportivo. Preços e especificações completas serão divulgados mais próximos do lançamento. A chegada às lojas está prevista para o quarto trimestre de 2026, mas o modelo é tratado comercialmente como ASX VR-e 2027.
O Mitsubishi ASX VR-e 2027 é, portanto, um automóvel curioso dentro da atual estratégia do fabricante japonês. Não representa apenas o retorno da Mitsubishi aos elétricos de produção em seus mercados da Oceania, mas também mostra uma nova estratégia de colaboração tecnológica para acelerar a chegada de BEVs sem desenvolver integralmente uma plataforma própria. Ao mesmo tempo, a marca procura preservar sua personalidade através do desenho, da calibração do chassi e, sobretudo, de um nome carregado de história. O resultado é um pequeno elétrico que chega ao mercado australiano trazendo no sobrenome a memória de um dos Mitsubishi mais emblemáticos dos anos 1990 - uma tentativa interessante de transformar a eletrificação em algo um pouco mais VR e um pouco menos simplesmente ‘e’.