MITSUBISHI ECLIPSE GSX (1995): O ESPORTIVO JAPONÊS TURBINADO QUE CONQUISTOU A AMÉRICA
No meio da década de 1990, quando a cultura automotiva americana era dominada por coupés esportivos acessíveis, rodas polidas, pôsteres nas paredes e o fascínio crescente pelo tuning, havia um japonês que surgia como protagonista de um fenômeno que ainda estava apenas começando. Esse carro vinha do trio formado por Mitsubishi, Chrysler e Eagle - a chamada Diamond-Star Motors - e acabou se tornando um dos maiores símbolos da juventude automobilística da época. Estamos falando do Mitsubishi Eclipse GSX de 1995, uma máquina que marcou gerações e antecipou a febre turbo que logo tomaria conta das ruas.
A segunda geração do Eclipse, apresentada em 1995, abandonava as linhas mais retas do modelo anterior para assumir um visual arredondado e aerodinâmico, uma assinatura estética típica dos anos 90. Com faróis mais afilados, capô inclinado e aquela silhueta fluida que parecia cortar o ar mesmo parado, o Eclipse 2G conquistou rapidamente o público jovem norte-americano - em grande parte porque parecia mais futurista do que qualquer concorrente direto.
O GSX era, dentro da família, o mais desejado. Ao contrário das versões GS e GS-T, esta era a única que unia dois ingredientes que mudaram a reputação do modelo: motor turbo e tração integral AWD. Sob o capô batia o agora lendário 4G63T, um motor de 4 cilindros 2.0 turbo de alta durabilidade e enorme potencial de preparação. Em sua configuração original, o motor entregava pouco mais de 210 cv, mas seu verdadeiro encanto estava na capacidade de suportar aumentos de potência sem perder confiabilidade - algo rapidamente explorado por entusiastas, preparadores e competidores.
A tração integral, herdada diretamente do Mitsubishi Lancer Evolution, tornava o GSX não apenas rápido, mas eficiente. O carro conseguia distribuir força às quatro rodas de maneira que poucos esportivos acessíveis da época conseguiam igualar. Nas arrancadas, era quase imbatível entre seus rivais diretos; em curvas, transmitia segurança e aderência surpreendentes para um coupé concebido para o público jovem. Era o tipo de carro que colocava na rua um desempenho muito acima do esperado pelo valor que custava.
Por dentro, o Eclipse GSX mantinha a filosofia esportiva dos anos 90: painel voltado para o condutor, posição de condução baixa e uma cabine que, embora construída com materiais simples, oferecia sensação de cockpit. Nada era especialmente luxuoso, mas tudo estava no lugar certo - e com uma linguagem visual que combinava com a proposta.
A cultura automotiva dos EUA ajudou a transformar o Eclipse em um ícone. Ele aparecia em revistas, campeonatos de arrancada, encontros de tuning e, anos mais tarde, ganharia projeção mundial ao marcar presença no primeiro filme de ‘The Fast and the Furious’ - embora ali, especificamente, não fosse a versão GSX, mas o mito já estava criado. O GSX tornou-se objeto de culto para quem buscava um esportivo acessível, versátil e com enorme margem para evolução.
Hoje, o Mitsubishi Eclipse GSX de 1995 é lembrado como um dos últimos grandes representantes de uma era em que os esportivos japoneses compactos dominaram o cenário automotivo norte-americano. Uma combinação rara de estilo, tecnologia, potência e personalidade. Um coupé turbo AWD que, mesmo quase três décadas depois, ainda desperta respeito - tanto pelos anos vividos quanto pela história que ajudou a construir.
Um legítimo ícone dos anos 90, moldado para acelerar sonhos e deixar sua marca nas ruas.