O ENCANTO ATEMPORAL: MORGAN PLUS 4 ROADSTER (1996), O ROADSTER BRITÂNICO QUE RECUSA A MODERNIDADE E CONQUISTA CORAÇÕES
Na Inglaterra de 1996, enquanto o mundo automobilístico corria atrás de injeções eletrônicas sofisticadas, airbags e carrocerias monocoque, a pequena fábrica da Morgan em Malvern continuava fiel à sua filosofia artesanal centenária. O Morgan Plus 4 Roadster daquele ano era o perfeito exemplo dessa teimosia charmosa: um roadster construído à mão sobre chassi de longarinas e estrutura de madeira de freixo, com painéis de alumínio ou aço, exatamente como nos anos 1950.
O Plus 4, reintroduzido em 1985 após um hiato, usava em 1996 o motor Rover T16 2.0 litros DOHC 16 válvulas, um bloco de 4 cilindros com injeção eletrônica que entregava cerca de 135 cv a 6.000 rpm e torque de aproximadamente 184 Nm a 2.500 rpm. Acoplado a uma transmissão manual de 5 velocidades, permitia acelerações respeitáveis (0-100 km/h em torno de 8-9 segundos) e velocidade máxima próxima de 190 km/h. Não era um foguete, mas o suficiente para proporcionar uma condução envolvente, com tração traseira pura e um ronco agradável que combinava bem com o vento no rosto.
O design permanecia fiel à tradição Morgan: linhas clássicas, para-lamas proeminentes, capota de lona simples, faróis redondos, grade vertical e rodas raiadas (wire wheels) de 15 polegadas. Com entre-eixos de 2.438 mm e peso em torno de 1.000 kg, o carro media apenas 3.960 mm de comprimento - compacto, leve e incrivelmente ágil nas estradas sinuosas do interior britânico. A suspensão dianteira por molas helicoidais e eixo rígido traseiro (com molas de lâmina) entregava um comportamento vintage: comunicação direta, alguma inclinação na curva e muito feedback ao volante.
O interior era puro minimalismo britânico: bancos de couro Connolly (ou vinil), painel de madeira, instrumentos analógicos simples e espaço justo para dois ocupantes. Não havia luxos desnecessários - o foco estava na experiência de dirigir. A capota abria e fechava manualmente, e o para-brisa dobrável reforçava o espírito roadster autêntico.
Produzido em quantidades limitadas (a Morgan nunca foi de produção em massa), o Plus 4 de 1996 representava o equilíbrio ideal da marca entre herança e praticidade moderna: freios a disco nas quatro rodas, injeção confiável e um motor mais civilizado que os antigos Triumph ou FIAT usados anteriormente. Era o carro para quem rejeitava o plástico e a eletrônica excessiva dos anos 90 e preferia construir memórias ao volante em estradas secundárias, com o som do motor e o cheiro de couro e óleo.
Hoje, o Morgan Plus 4 Roadster 1996 é um dos exemplares mais apreciados da era Rover. Sua simplicidade mecânica (fácil de manter), o charme atemporal e a exclusividade de um carro construído praticamente à mão fazem dele um clássico moderno que envelhece com dignidade. Um lembrete vivo de que, para alguns entusiastas, o verdadeiro prazer automotivo não está na velocidade máxima, mas na conexão pura entre homem, máquina e estrada.