O JAPÃO FOI O MAIOR MERCADO PARA A MINI NOS ANOS 90
Todos sabem que o MINI é uma das marcas britânicas mais famosas do século XX, amada em sua terra natal e icônica em todo o mundo. Mas você acreditaria que as Ilhas Britânicas não eram o maior mercado do MINI na década de 1990? Não, eram outras ilhas, do outro lado do mundo, onde o MINI era (e ainda é) tão popular que, segundo alguns, salvou a marca da descontinuação.
A história do MINI no Japão tem um início dramático. Após muitos anos de expansão econômica, um período de estagnação atingiu o país no início da década de 1990. Começou a chamada ‘Década Perdida’, e muitas indústrias e marcas sentiram seus efeitos. Mas havia um pequeno carro estrangeiro que ainda desafiava o clima econômico. Mesmo em anos como 1998, quando as vendas de carros novos despencaram mês após mês (-14% para veículos nacionais e -26% para veículos importados de janeiro a setembro), o MINI ainda conseguiu aumentar suas vendas em 17% durante o mesmo período! Como e por quê?
Tudo começou alguns anos antes. Os carros Mini eram considerados estilosos no Japão desde a década de 1970, e concessionárias individuais começaram a importá-los para o país. O interesse não passou despercebido, e a Rover, então proprietária da Mini (adquirida pela BMW em 1994), iniciou oficialmente as exportações em 1985. No final da década de 1980, a iminente recessão provavelmente parecia uma ideia improvável, e os consumidores japoneses desejavam um carro que se encaixasse bem no chamado ‘Boom Retro’ da época. Para capitalizar a óbvia popularidade do Mini, a Rover começou a exportar versões com mais cromados, mais couro e itens de segurança como airbags e barras de proteção lateral. Mas, fora isso, o design básico permaneceu o mesmo.
E esse design conferiu ao Mini um ar de autenticidade, um culto clássico e um verdadeiro toque vintage, o que era muito atraente em um país que, de outra forma, era frequentemente fascinado pela tecnologia de ponta. Seu caráter britânico também não havia desaparecido; na verdade, foi algo em que a MINI se apoiou bastante, mesmo durante o relançamento do carro no final do milênio, anos depois. Seu apelo jovial e charme nostálgico podem ter contribuído para a popularidade do carro, apesar da recessão econômica.
Há outra ferramenta que a MINI usou para ganhar popularidade após chegar ao Japão, e que ainda é usado hoje: os vários modelos de edição limitada. O mercado japonês pareceu responder de forma especialmente positiva a esses carros, que tornaram um veículo único ainda mais inovador e sempre conseguiram manter o interesse pelos MINIs em alta.
Além da marca, o carro também se tornou amado por seu tamanho e praticidade. Nas ruas estreitas e movimentadas das grandes cidades do Japão, um carro pequeno e ágil sempre leva vantagem. E o Japão adora carros pequenos. Eles têm um tipo especial de carro, o ‘microcarro japonês’, chamado ‘kei’. Embora esses carros sejam frequentemente ainda menores que um Mini clássico, com motores que variam de 360 ??a 660 cc, um consumidor japonês que deseja um carro compacto para a cidade com um toque de diversão, tradição e estilo pode optar por um MINI.
Os valores que fizeram do MINI um sucesso na década de 1990 persistem até hoje. Após o relançamento do MINI, grande parte de sua base de clientes é composta por japoneses mais velhos, que compram o carro pelo mesmo motivo que os britânicos nas décadas de 1960 e 70: para celebrar a ‘joie de vivre’ e possuir um carro tão jovem de espírito quanto eles.