O LENDÁRIO MG PB ‘Q-TYPE’ EVOCATION DE 1934: UM ÍCONE DE VELOCIDADE E INOVAÇÃO BRITÂNICA
Em uma era em que o ronco dos motores a vapor ainda ecoava nas estradas da Grã-Bretanha, a Morris Garages (MG) revolucionava o mundo dos esportes a motor com um veículo que transcendia as pistas de corrida: o MG PB ‘Q-Type’ Evocation de 1934. Não se tratava de um mero carro de produção, mas de uma evocação mecânica de ousadia e precisão, projetado para desafiar limites físicos e humanos. Lançado em meio à efervescência do automobilismo pré-Segunda Guerra, essa joia sobre rodas encapsula o espírito indomável da engenharia britânica, misturando herança de modelos acessíveis com a fúria de uma máquina de competição.
A história do ‘Q-Type’ remonta ao alvorecer dos anos 1930, quando a MG, sob a visão do lendário Cecil Kimber, buscava elevar seus Midgets - aqueles esportivos leves e ágeis - a um patamar de elite. O precursor imediato foi o MG PA, introduzido em março de 1934 como sucessor do J2 Midget, que havia conquistado corações com sua simplicidade radical. O PA, com seu motor overhead camshaft de 847 cm³ desenvolvido pela Wolseley Motors, entregava 36 cv a 5.500 rpm, permitindo acelerações de 0 a 80 km/h em cerca de 20 segundos e velocidades máximas próximas aos 120 km/h. Mas a MG não parou por aí: entre 1934 e 1935, mais de 2.000 unidades do PA saíram das linhas de Abingdon, pavimentando o caminho para a evolução que viria a ser o PB.
Foi em 1935 que o PB entrou em cena, com uma atualização sutil, porém impactante: o furo do motor foi ampliado de 57 mm para 60 mm, elevando a cilindrada para 939 cm³ e a potência para 43 cv. Essa configuração, acoplada a uma transmissão de 4 velocidades não sincronizada, transformou o PB em um esportivo mais versátil, ideal para as curvas sinuosas das estradas inglesas ou as retas traiçoeiras das competições de hill climb. Apenas 526 exemplares foram produzidos até 1936, tornando-o um raro tesouro para colecionadores. Externamente, o PB mantinha a silhueta esguia do PA - chassi alongado, freios de 30 cm de diâmetro e linhas fluidas que evocavam o fluxo do ar -, mas ganhava detalhes como uma grade de radiador verticalmente listrada e um painel de instrumentos redesenhado, conferindo um ar de sofisticação refinada.
O verdadeiro pulsar do ‘Q-Type’ Evocation, no entanto, reside em sua essência de competição. Em 1934, a MG construiu apenas oito unidades do Q-Type, uma versão racing exclusiva baseada no chassi do K3, mas com eixos mais estreitos do N-Type. Esses monopostos foram otimizados para eventos de 750 cm³: motores derivados do PA foram reduzidos para 746 cm³, equipados com supercompressores e caixas de pré-seleção, gerando impressionantes 113 cv a 7.200 rpm. O resultado? Uma besta mecânica que dominava as pistas, impulsionada por carrocerias de alumínio de dois lugares com cauda pontiaguda e exaustores externos que cuspiam fumaça como dragões mecânicos. Equipes de fábrica, como a famosa ‘Cream Crackers’, usavam essas máquinas em trials e corridas, acumulando vitórias que impulsionavam as vendas dos modelos de rua e elevavam o status da MG a lenda.
Quase um século após sua estreia, a MG PB ‘Q-Type’ Evocation de 1934 permanece um testemunho vivo da era dourada do automobilismo britânico. Em um mundo de hipercarros elétricos, ela nos lembra que a verdadeira emoção nasce da engenhosidade humana: um motor que respira, rodas que dançam no asfalto e uma herança que acelera o coração. Para os apaixonados por clássicos, não é apenas um veículo - é uma evocação da liberdade sobre quatro rodas.