OPEL ECO SPEEDSTER: UM BANCO DE TESTES COM VÁRIOS RECORDES
Um carro diesel experimental capaz de bater 17 recordes mundiais no início do século XX. Assim poderiam ser definidos o conceito e a missão do Opel Eco Speedster de 2003. Este pequeno esportivo na forma de protótipo foi criado pelos engenheiros da Opel para testar o rendimento de um novo motor turbodiesel de 4 cilindros, que acabaria chegando naquele mesmo ano à linha subcompacta do fabricante alemão, o Corsa e o Agila. Esta é a história do Speedster diesel e suas proezas no centro de testes da Opel em Dudenhofen, na Alemanha.
No final do século passado e começo da década de 2000, a proliferação do diesel como um combustível eficiente, de alto rendimento e respeitoso com o meio ambiente, impulsionou os fabricantes de carros a fazerem experimentos em novos campos. A Opel já conhecia este combustível e estava a ponto de introduzir um novo motor diesel de 1.3 litros de origem Fiat no Corsa C e no Agila I. Mas, a denominada fórmula ‘250 km/h por 40 km/l’, uma estratégia de marketing muito acertada para a época, levou a Opel a testar este motor em um protótipo baseado no Speedster.
Este protótipo não era um Opel Speedster comum, mas um veículo altamente modificado onde sua carroceria só compartilhava os faróis com o modelo de produção apresentado em 1999. Baseada no mesmo chassi de origem Lotus, a carroceria foi modificada profundamente para reduzir sua altura até somente 95 cm com o objetivo de grudar o carro no solo o máximo possível.
Entre as modificações da carroceria do Opel Eco Speedster se encontram uma redução da superfície envidraçada para rebaixar a altura do teto, as portas de abertura vertical tipo ‘asas de gaivota’ e todos os painéis desenvolvidos em fibra de carbono. As superfícies foram carenadas para melhorar a aerodinâmica, foram instalados novos para-choques e inclusive os retrovisores e o limpador de para-brisa vieram do mundo a competição. No total, o Eco Speedster registrava um peso de somente 660 kg, com um coeficiente aerodinâmico de 0.20, reduzindo para quase a metade o Cx do Speedster de rua.
O motor em questão, conhecido comercialmente como 1.3 CDTI, também foi modificado para a ocasião. A versão que equipou o Corsa e o Agila no final de 2003, após concluir o programa de testes do Eco Speedster, tinha uma potência de 70 cv e 170 Nm de torque máximo. No entanto, no protótipo aumentou sua potência até os 112 cv. Isso lhe dava uma potência específica de 86 cv/litro, assim como uma relação peso/potência de 170 cv/tonelada. Nada mal para um humilde motor diesel de 1.3 litros.
O bloco estava acoplado a uma transmissão Easytronic, uma caixa manual robotizada desenvolvida pela Opel. Sobre o papel, os engenheiros estimaram que o Eco Speedster seria capaz de alcançar uma velocidade máxima de 250 km/h e, o melhor de tudo, com um consumo médio de 40 km/l. Daí a já mencionada fórmula ‘250 km/h por 40 km/l’.
O Opel Eco Speedster foi revelado oficialmente no Salão de Paris de 2002 como uma vitrine tecnológica e uma declaração de intenções por parte do fabricante de Rüsselsheim. A Opel decidiu demonstrar que a fórmula era real e que poderia bater vários recordes com seu pequeno protótipo diesel. Para isso, submeteria o Eco Speedster a uma intensa prova de desempenho de 24 horas onde o motor trabalharia em seu ritmo máximo, e seriam comprovados tanto a velocidade média (e máxima) como o consumo de combustível.
Em 27 de julho de 2003, a Opel começa seu desafio no centro de testes em Dudenhofen com o Eco Speedster. Depois de 24 horas a toda velocidade, o protótipo estabeleceu um total de 17 recordes internacionais para carros especiais com motores diesel sobrealimentados na categoria entre 1.100 e 1.499 cc. Entre os recordes batidos naquele dia se encontrava o quarto de milha, o quilômetro, 100 quilômetros, 1.000 quilômetros, 5.000 quilômetros, além de 6, 12 e 24 horas, entre outros, todos eles superando a velocidade média estabelecida por outros veículos de sua categoria entre 1977 e 1993.
Quando faltavam 55 minutos para a conclusão do teste de resistência de 24 horas, o Opel Eco Speedster se viu obrigado a realizar uma parada nos boxes por um problema elétrico, o que impediu que voltasse a sair à pista. Com base no regulamento, que proíbe qualquer assistência externa, o piloto teve que empurrar o carro até a meta e cruzar a linha utilizando o motor de arranque.
Apesar da parada de quase uma hora devido à avaria, o Eco Speedster estabeleceu uma velocidade média contínua de 225,079 km/h, superando o recorde anterior em mais de 98 km/h. Pouco antes da avaria, a velocidade média era superior aos 240 km/h. Os primeiros 500 quilômetros foram cobertos a mais de 250 km/h, conseguindo uma volta rápida de 256,269 km/h e uma velocidade máxima de 256,739 km/h. O melhor é que o Opel não só conseguiu seu objetivo de velocidade, como também cumpriu com o anunciado em relação ao consumo, com uma média de solo 39,37 km/l.