OPEL REKORD C CELEBRA O SEU 60º ANIVERSÁRIO
Em 1963, o Opel Rekord A foi lançado como um modelo de gama média para todos; o Rekord B, ligeiramente revisado, seguiu-se em 1965 com novos motores. E apenas um ano depois - há exatamente 60 anos - o fabricante alemão revelava o Opel Rekord C. A terceira geração do Rekord foi quase uma ‘reinvenção’ da gama de modelos. Foi redesenhado de raiz, oferecia maior conforto e dispunha de características inovadoras e estilos de carroceria que tornavam os sonhos dos condutores realidade.
Agosto de 1966: o Opel Rekord C, completamente redesenhado, faz a sua estreia
O Rekord C fez a sua estreia em agosto de 1966. Desde o início se destacou pela sua vasta gama de versões: como sedan de duas e quatro portas nas versões standard e luxury, bem como como uma station wagon de três e cinco portas. Além disso, estava disponível uma versão para transporte de mercadorias e, alguns meses depois, a estrela da nova gama de modelos, o coupé fastback.
Debaixo do capô, o Rekord C era equipado com motores CIH (de ‘camshaft-in-head’, ou seja, com eixo comando no cabeçote) de 4 e 6 cilindros. A gama incluía oito motores, com potências que variavam entre 58 cv e 106 cv, em cilindradas que iam de 1.5 litros a 2.2 litros. “A chave para esta notável variedade de opções”, afirmou a direção da Opel na época, “é um único motivo: satisfazer os desejos individuais de todos, desde o comprador que procura custos acessíveis até ao cliente mais exigente”.
Inovações técnicas: o Rekord C com freios à disco na frente e molas helicoidais na traseira
Até os modelos de base da gama apresentavam características inovadoras e elementos de segurança que, na época, estavam longe de ser comuns. Entre estes destacava-se o moderno chassi do Rekord C: na frente, a largura da bitola foi aumentada de 1.325 para 1.400 milímetros, enquanto o amortecimento melhorado da suspensão aumentou tanto o conforto de condução como a segurança. As alterações mais significativas, no entanto, aconteceram na traseira. As molas de lâmina deixaram de ser utilizadas no eixo traseiro; em vez disso, passaram a ser utilizadas molas helicoidais, bem como braços duplos e uma barra Panhard. Isto fez do Rekord C o primeiro automóvel de passageiros da Opel a incluir molas helicoidais no eixo traseiro. As barras estabilizadoras, que eram de série na dianteira, também estavam disponíveis opcionalmente no eixo traseiro.
Entretanto, o Rekord estabeleceu também outras novas referências: foi o único veículo da sua classe em que todas as versões estavam equipadas de série com um sistema de frenagem de duplo circuito e um servofreio, facilitando a desaceleração rápida do veículo. Além do aumento do comprimento e da largura do habitáculo, características como o novo sistema de aquecimento melhoraram o conforto dos passageiros; este sistema permitia que “ar novo, não aquecido ou aquecido, bem como ar misto (ar novo com temperatura controlada), fosse introduzido no automóvel. O fluxo de ar expelia então o ar viciado do habitáculo através das saídas de ar traseiras”, tal como era descrito. Um sistema altamente avançado para a sua época.
Sonhos tornados realidade: Fastback Coupé, Sprint, ‘Black Widow’ e conversível
Enquanto a versão de mercadorias e a station wagon familiar garantiam que - como dizia a brochura publicitária da época - “equipamento volumoso e até mesmo os móveis de jardim da avó" pudessem ser acomodados no espaçoso compartimento traseiro, o design das outras versões de carroceria centrava-se no dinamismo.
O esportivo Rekord Coupé, de estilo fastback, lançado na primavera europeia de 1967, serviu inicialmente como o modelo topo de gama da série Rekord. Segundo os designers de Rüsselsheim, este não era “simplesmente um Rekord sedan com um teto traseiro inclinado, mas sim um automóvel esportivo e elegante com um caráter próprio”. Como faltavam os pilares B de ambos os lados, criou-se uma sensação de espaço arejado. Com as suas linhas inconfundíveis, o “design em forma de garrafa de Coca-Cola”, típico do Rekord, realçava ainda mais a aparência dinâmica do Coupé. Nasceu um verdadeiro ‘hip’-ster!
Nesse mesmo ano, a Opel elevou ainda mais o nível com o Rekord Sprint: já exibindo as suas credenciais esportivas no exterior com as suas faixas de competição e faróis auxiliares, o modelo de duas portas mostrou do que era capaz com o seu motor de 4 cilindros e 1.9 litros e 106 cv: acelerava de 0 a 100 km/h em 12.5 segundos, deixando para trás a maioria dos veículos de sua categoria daquela época.
O único modelo Rekord ainda mais potente foi o ‘Black Widow’ de 1968, que continua sendo lendário até os dias de hoje. Tratava-se de um veículo especial de competição de turismos do Grupo 5 baseado no Rekord 1900 S, construído pelo designer da Opel e entusiasta do esporte motorizado Anatol Lapine e por alguns dos seus colegas, sem o conhecimento oficial do Conselho de Administração da Opel. Os engenheiros ajustaram o motor de 4 cilindros do automóvel preto de duas portas, equipado com dois carburadores duplos, para 180 cv - o dobro da potência do modelo de série. Reforçaram também o sistema de transmissão e otimizaram o chassi. Já na sua segunda participação em corrida, em 1968, no Hockenheimring, o Rekord, com Erich Bitter ao volante, registrou o tempo de volta mais rápido, apesar da forte concorrência da Porsche. Mas o Rekord C também teve grande sucesso nos rallys, por exemplo, nas mãos do piloto sueco de topo Lille-Bror Nasenius, que terminou como vice-campeão europeu de 1967.
A vasta gama de modelos de série foi completada pelo exclusivo Rekord Sport Cabriolet de quatro lugares, construído pelo encarroçador Karl Deutsch, de Colônia. Além disso, o Rekord C serviu também de base para o Opel Commodore A, que elevou ainda mais o nível para os sedans esportivos a partir de 1967. O Commodore preencheu a lacuna entre o Rekord e os modelos de topo Opel Kapitän e Opel Admiral.
Um verdadeiro sucesso de vendas: o Rekord C torna-se o primeiro ‘milionário da Opel’
Com o seu design, versatilidade e tecnologias inovadoras, o Rekord C foi um verdadeiro sucesso de vendas. No final da produção, em dezembro de 1971, mais de 1.25 milhões de Rekord C tinham saído da linha de produção. O Rekord C tornou-se o primeiro modelo da marca a ultrapassar a marca de um milhão de unidades e estabeleceu um novo recorde para os modelos de gama média da Opel.
Assim, a partir do final da década de 1960, o Rekord C tornou-se o automóvel que, até hoje, simboliza liberdade, amizade e que guarda muitas memórias. Os ‘Die Toten Hosen’ também lhe prestaram uma homenagem especial - por duas vezes. Um Rekord C Caravan podia ser visto na capa do seu álbum de estreia, ‘Opel Gang’, lançado em 1983. Por isso, ficou claro para os lendários punk rockers alemães, mesmo em 2026 - 43 anos depois -, que o mesmo modelo tinha simplesmente que aparecer na capa do seu último álbum de estúdio, ‘Trink aus! Wir müssen gehen’ (‘Bebe tudo! Temos de partir’). Desta forma, o círculo fecha-se entre a Opel e a lendária banda de punk rock, que se encontra numa grande excursão até setembro.