OWEN-MAGNETIC TOURING 1917: O AUTOMÓVEL QUE QUIS TORNAR O FUTURO SUAVE
Os Estados Unidos no início do século XX era um país movido pela energia da industrialização e pela ambição de transformar ideias ousadas em máquinas reais. E é justamente nesse ambiente de otimismo mecânico que surgiu um dos mais intrigantes automóveis do período pré-guerra: o Owen-Magnetic Touring, talvez a melhor expressão do sonho de seus criadores - um carro que combinava luxo, ousadia e uma tecnologia tão avançada que parecia saída de um laboratório futurista.
Um Touring como nenhum outro
Enquanto os ‘touring cars’ predominavam nas ruas dos Estados Unidos com suas carrocerias abertas, motores ruidosos e transmissões manuais de personalidade incômoda, o Owen-Magnetic Touring aparecia como um estranho no ninho - silencioso, elegante e extremamente sofisticado. Ele não era apenas mais um carro para cruzar boulevards ensolarados, mas sim uma demonstração pública daquilo que a marca defendia: a fusão perfeita entre combustão e eletricidade.
Seu motor de 6 cilindros era acoplado a um gerador elétrico que substituía a embreagem, o câmbio e todo o sistema tradicional de transmissão. O condutor simplesmente acelerava e o carro avançava com suavidade absoluta, sem trancos, sem ruídos de engrenagens e sem o ritual mecânico comum aos carros da época. Era o automóvel da calma, em um tempo em que dirigir ainda era uma tarefa exigente.
Estilo clássico com alma futurista
O Touring de 1917 tinha porte imponente. Carroceria aberta, espaço para cinco ou sete passageiros, capota dobrável e linhas típicas do design americano do período - altas, retas e com presença. Mas escondia em sua estrutura o segredo que o tornava especial: o conjunto eletromagnético de Justus Entz, protegido por patentes e admirado por engenheiros de várias partes do país.
A combinação entre o luxo visual e o silêncio mecânico causava impacto. Dirigir o Owen-Magnetic era quase uma experiência teatral: enquanto outros automóveis bufavam e rangiam pelas ruas, ele deslizava como um elétrico, mesmo tendo um motor a combustão trabalhando em segundo plano.
O Touring que impressionava até os céticos
Relatos da época mostram que demonstrações públicas do Touring eram verdadeiros espetáculos. Jornalistas e curiosos eram convidados a entrar no carro, e bastavam alguns minutos para perceberem o que tornava o Owen-Magnetic tão especial: a ausência total de embreagem, o movimento contínuo e a sensação de que o carro ‘pensava’ antes de agir.
Para condutores cansados das transmissões rudimentares dos anos 1910, aquilo parecia pura magia.
O peso do pioneirismo
Mas, como tudo o que chega cedo demais, o Touring também carregava um fardo. Sua mecânica sofisticada exigia conhecimento técnico raro. Sua produção artesanal elevava o preço muito além do padrão do mercado. E sua manutenção era incompatível com a infraestrutura automobilística da época. Em resumo: era um grande carro para um país que ainda não estava pronto para carros assim.
Apesar do brilho e da atenção da imprensa, o Owen-Magnetic Touring terminou por se tornar uma raridade - mais um capítulo fascinante da breve saga da marca.
Alguns exemplares do Touring de 1917 sobreviveram até hoje e, quando restaurados, confirmam uma verdade surpreendente: o sistema eletromagnético ainda funciona de forma incrivelmente suave. Especialistas afirmam que, com pequenos ajustes, ele poderia ter sido o antepassado direto da transmissão automática moderna - e talvez até dos híbridos contemporâneos.