PORSCHE 911 GT2: O 911 MAIS EXTREMO CELEBRA UM QUARTO DE SÉCULO
A história do Porsche 911 não seria a mesma sem esta temida versão. Embora o 911 sempre fosse um esportivo de primeiro nível, com a chegada do 911 GT2 tornou-se em algo mais. Assim, aproveitando que o Porsche 911 GT2 cumpre 25 anos, vamos repassar a evolução desta radical e poderosa versão ao longo deste quarto de século. Um tempo em que foi capaz de desafiar os condutores mais hábeis e de humilhar reputados superesportivos em circuito.
A fórmula utilizada no primeiro Porsche 911 GT2 há 25 anos não mudou em todo este período. E isso envolve montar em um 911 um potente motor de 6 cilindros sobrealimentado com dois turbos, aliviar o peso do conjunto, adicionar uma aerodinâmica trabalhada e realizar um ajuste mais esportivo. Mas apesar de a receita ter sido sempre a mesma, o 911 GT2 evoluiu muito com a passagem das diferentes gerações.
Cada uma destas gerações tem sido mais potente e rápida que a anterior, alçando-se sempre como o 911 definitivo. O primeiro capítulo na saga do Porsche 911 GT2 foi escrito em 1995 quando o fabricante alemão introduziu o 993 GT2. Um modelo concebido originalmente como uma versão especial de homologação para os GT2 de competição e que se tornou imediatamente no 911 mais radical da época, sempre com a permissão do 911 GT1 contemporâneo.
Aquele 911 GT2 da geração 993 introduziu uma série de diretrizes que foram se repetindo nas evoluções posteriores. Utilizava o motor boxer de 6 cilindros biturbo do 911 Turbo da época, mas no lugar da tração nas quatro rodas, o GT2 era de tração traseira. Isto, junto com outras medidas para aliviar o conjunto, permitiu reduzir o peso em até 225 kg e ao mesmo tempo aumentou o nível de exigência para conduzi-lo rápido.
O bloco M64/60R com dois turbos KKK era capaz de entregar até 486 cv de potência nas versões de corridas. Mas os 194 exemplares de rua fabricados do 993 GT2 entre 1995 e 1998 acabaram se conformando com um pouco menos: até 435 cv e 620 Nm. São números que permitiam a este Porsche 911 GT2 993 acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos e atingir uma velocidade máxima de 300 km/h. Cifras que 25 anos depois continuam sendo impressionantes.
O capítulo seguinte na história do Porsche 911 GT2 foi escrito pelo Porsche 996 GT2. Foi introduzido com a mudança do século e esteve à venda entre 2002 e 2005. Baseado no 911 996, foi o primeiro 911 GT2 com um motor refrigerado a água. Voltou a recorrer ao motor do 911 Turbo, mas neste caso do 996, que foi potenciado até os 462 cv (42 cv a mais) e 620 Nm de torque. Como em seu antecessor, a transmissão era manual de seis velocidades.
Ao prescindir mais uma vez do sistema de tração nas quatro rodas e de elementos como os bancos traseiros, a Porsche conseguiu reduzir o peso até os 1.515 kg, cerca de 100 kg a menos em relação ao 911 Turbo da época. Isto lhe permitia acelerar de 0 a 100 km/h em 4.1 (4.2 no 996 Turbo) e alcançar uma velocidade máxima de 315 km/h (10 km/h a mais). São números que o fizeram tornar-se o Porsche mais rápido da época, pelo menos até a chegada do Porsche Carrera GT.
A história do 911 GT2 continuou em 2007 com a introdução do Porsche 997 GT2. Este, como os anterires, era baseado no 911 Turbo da época. O motor boxer com dois turbos de geometria variável passou de 480 a 530 cv de potência, a tração era traseira e a mudança de marchas só podia ser manual. O peso foi reduzido em 145 kg até os 1.515 kg, graças a novidades como o silencioso de titânio e o trabalho efetuado na aerodinâmica para aumentar o apoio.
Era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 3.7 segundos e de alcançar uma velocidade máxima de 329 km/h, dados que o colocavam entre os automóveis de rua mais rápidos da época. Mas para a Porsche parecia não ser suficiente, assim em 2010 foi lançado o Porsche 997 GT2 RS, que desta forma se tornava o primeiro Porsche 911 GT2 RS da história.
Graças aos 620 cv que desenvolvia o motor boxer biturbo, se tornou o Porsche de rua mais potente já fabricado até aquele momento. Só foram produzidos 500 exemplares para todo o mundo. Carros que, ao contrário do 997 GT2 normal, eram equipados com um motor 3.6 no lugar do 3.8, mudança que permitiu incrementar o rendimento em 90 cv. O peso foi reduzido ainda mais até os 1.445 kg (70 kg a menos em relação ao 997 GT2).
Em suma, o 997 GT2 RS era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 3.5 segundos. A velocidade máxima de 330 km/h era somente 1 km/h superior à do 997 GT2, uma diferença mínima apesar da vantagem de potência e peso que era consequência de sua maior resistência aerodinâmica.
E assim chegamos ao último capítulo da saga do 911 GT2, o Porsche 991 GT2 RS. Um modelo que quando foi introduzido em 2017, mais uma vez ganhou o título do Porsche mais rápido e poderoso do momento. Tudo graças aos 700 cv de potência que desenvolve seu motor biturbo, que unidos ao torque de 750 Nm e a um peso de 1.545 kg, lhe permitem acelerar de 0 a 100 km/h em 2.8 segundos e alcançar uma velocidade máxima de 340 km/h.
Com o 991 GT2 RS houve uma grande mudança, pois ele foi o primeiro 911 GT2 que utilizou uma transmissão de dupla embreagem sem opção a uma transmissão manual. Isto permitiu que ele fosse ainda mais rápido, tanto que não demorou muito para ele ganhar o título de carro de produção mais rápido no circuito de Nürburgring. Pouco depois o Lamborghini Aventador SVJ lhe tirou o título, mas o 911 GT2 RS voltou a recuperá-lo com a ajuda da Manthey-Racing e um espetacular tempo de 6:40.03 segundos.