PORSCHE 924 S (1988): O GRAN TURISMO ACESSÍVEL QUE ENCERROU UMA ERA COM DIGNIDADE EM ZUFFENHAUSEN
O ano de 1988, foi um período que a Porsche enfrentava o desafio de manter viva sua linha de entrada enquanto concentrava esforços nos modelos mais premium. Foi nesse contexto que surgiu o Porsche 924 S, a versão final e mais refinada do modelo que, desde 1976, havia democratizado o acesso à marca de Zuffenhausen. Produzido em Neckarsulm (planta da Audi), o 924 S de 1988 representou o canto do cisne da plataforma 924, combinando o corpo aerodinâmico e leve do modelo original com o coração mais potente do 944.
O visual mantinha a silhueta elegante e atemporal criada por Harm Lagaay: linhas fluidas, faróis escamoteáveis, teto de vidro opcional (Targa) e coeficiente aerodinâmico excelente de apenas 0.33. O 924 S de 1988 distinguia-se por detalhes sutis, como rodas de 15 ou 16 polegadas com cinco furos (herdadas do 944), freios aprimorados e uma postura ligeiramente mais assertiva. Era um coupé 2/2 prático, leve (cerca de 1.200-1.270 kg) e com excelente distribuição de peso graças ao esquema transaxle - motor dianteiro e transmissão traseira.
O grande destaque técnico estava debaixo do capô: o motor 2.5 litros inline-4 (M44/40), derivado do 944, agora com compressão elevada para 10.2:1 e injeção eletrônica Bosch. Em seu ano final, entregava 160 cv a 5.900 rpm e 210 Nm de torque a 4.500 rpm - um ganho significativo em relação aos 150 cv de 1987. Acoplado à caixa manual de 5 relações (ou automática de 3 velocidades em algumas unidades), permitia aceleração de 0 a 100 km/h em torno de 7.4 a 8.5 segundos e velocidade máxima próxima de 220-225 km/h. Mais leve e aerodinâmico que o 944 base, o 924 S era, em alguns aspectos, ligeiramente mais rápido que seu ‘irmão maior’.
A suspensão foi reforçada com componentes do 944 (barras estabilizadoras, amortecedores), oferecendo um equilíbrio admirável entre conforto em viagens longas e agilidade nas curvas - o famoso ‘handling Porsche’ acessível. No interior, ainda conservava o layout mais simples do 924 original, com volante de quatro raios, painel claro e bancos confortáveis, embora com melhorias como cintos de três pontos no banco traseiro.
Com produção total da variante 924 S em torno de 16.669 unidades entre 1987 e 1988, o modelo de 1988 marcou o fim da linha 924 após 12 anos. Pressões cambiais desfavoráveis e a estratégia da Porsche de focar em modelos mais caros levaram ao seu adeus, abrindo caminho para a evolução da família 944/968.
Hoje, o Porsche 924 S 1988 é valorizado por colecionadores como uma opção racional e divertida: confiável, relativamente fácil de manter, com desempenho gratificante e aquele charme de ser o “Porsche para quem não queria (ou não podia) ter um 911”. Um gran turismo discreto, eficiente e prazeroso que encerrou com classe a história do primeiro Porsche com motor dianteiro refrigerado à água.