RINSPEED SQUBA: O CARRO QUE MERGULHOU NA FANTASIA E VOLTOU À SUPERFÍCIE
Se existe um ponto na linha do tempo automotiva em que a imaginação venceu a lógica, esse ponto se chama Rinspeed sQuba. Apresentado em 2008 no Salão de Genebra, esse veículo é a mais explícita demonstração da obsessão de Frank M. Rinderknecht por transformar cenas de filmes em tecnologia real. O sQuba foi o momento em que a Rinspeed decidiu ir além de planear sobre a água - ela queria, literalmente, mergulhar.
A Inspiração: James Bond e o Impulso de Tornar o Irreal Real
Durante décadas, o cinema alimentou a fantasia de veículos anfíbios capazes de submergir como submarinos pessoais. A cena icônica de 007 - O Espião que Me Amava, de 1977, em que um Lotus Esprit mergulha no oceano, moldou a imaginação de milhões.
Rinderknecht foi um desses espectadores. Mas, ao contrário da maioria, ele decidiu tornar a fantasia funcional. E assim nasceu o sQuba, baseado justamente em um Lotus Elise - uma homenagem direta ao clássico do cinema.
Uma Máquina Que Respira Debaixo d’Água
O sQuba era tudo, menos convencional. Seu projeto incorporava:
- Propulsão totalmente elétrica, garantindo funcionamento silencioso e livre de emissão de gases - algo essencial ao operar debaixo d’água.
- Três motores elétricos: um para as rodas, dois para as hélices traseiras.
- Propulsores frontais que atuavam como jatos d’água, oferecendo controle de posição e profundidade.
- Interior resistente à água, com materiais e equipamentos projetados para trabalhar mesmo submersos.
- Sistema de respiração com cilindros de oxigênio, permitindo que condutor e passageiro permanecessem submersos com máscaras - como mergulhadores dentro de um carro.
Nada era disfarce cinematográfico. Tudo funcionava. O sQuba realmente mergulhava, navegava e voltava à superfície com dignidade mecânica.
Teto Aberto - Uma Escolha Surpreendente
Em vez de criar um coupé selado, como no filme, Rinderknecht fez o contrário: manteve o sQuba como um veículo aberto. Isso não só tornava o conceito mais leve e simples, como também eliminava o risco de pressão interna e externa colapsarem a estrutura durante o mergulho.
O resultado? Ao submergir, a água invadia naturalmente o interior - mas apenas até o nível da cintura dos ocupantes, que já estavam equipados com roupas adequadas e máscaras. Era uma espécie de híbrido entre carro, barco e cápsula de mergulho.
Um Esportivo Anfíbio e Submersível
O funcionamento do sQuba podia ser dividido em três fases:
- No asfalto, comportava-se como um pequeno esportivo leve, graças à base do Lotus Elise.
- Sobre a água, flutuava e navegava com serenidade, movido pelas hélices traseiras.
- Submerso, avançava a velocidades modestas, mas com excelente controle e estabilidade - algo nunca visto em um veículo desse tipo até então.
Essa terceira etapa era a estrela do show: ver um automóvel deslizando a alguns metros de profundidade parecia desafiar qualquer lógica de design automotivo tradicional.
Apresentação em Genebra: Choque, Risos e Admiração
Quando o sQuba estreou em Genebra, o público não sabia se ria, aplaudia ou simplesmente ficava observando, incrédulo. Era, sem sombra de dúvida, o concept car mais ousado da década.
Rinderknecht não se deixou intimidar por opiniões céticas. Pelo contrário: reforçou que o objetivo da Rinspeed não era criar um produto vendável, mas desafiar a percepção sobre o que um veículo pode ser. O sQuba simbolizava essa filosofia com perfeição.
O Primeiro Carro Verdadeiramente Submersível da História
Ao contrário de veículos anfíbios anteriores, o sQuba foi o primeiro automóvel totalmente submersível funcional já construído. Não era uma maquete, não era CGI, não era protótipo incompleto. Ele realmente mergulhava e navegava - ainda que sem a pressa de um submarino militar.
Frank Rinderknecht declarou, na época, que criar algo assim era um sonho pessoal alimentado desde a infância. E, quando o sQuba finalmente foi testado na água, sua frase ficou famosa: “Se James Bond tivesse tido um carro 100% elétrico em 1977, teria sido este”.