TOURING SUPERLEGGERA VELOCE12 BARCHETTA (2026): A CELEBRAÇÃO DEFINITIVA DO PRAZER DE DIRIGIR SOB O CÉU ABERTO
Quando a tradicional carrozzeria milanesa apresentou o Veloce12 Coupé, deixou claro que seu objetivo não era apenas reinterpretar um dos grandes gran turismo da Ferrari, mas preservar uma filosofia automobilística que parecia caminhar para a extinção: a combinação de um motor V12 naturalmente aspirado, câmbio manual e tração traseira. Um ano depois, durante o prestigiado evento The Quail, A Motorsports Gathering, na Monterey Car Week, a empresa levou esse conceito ainda mais longe com o Touring Superleggera Veloce12 Barchetta, uma criação que transforma a experiência de condução em algo ainda mais visceral e emocional.
A denominação ‘Barchetta’ possui um significado especial para a Touring Superleggera. Afinal, foi justamente a carrozzeria italiana quem ajudou a eternizar esse termo em 1948 ao desenhar a lendária Ferrari F166 MM, cuja silhueta lembrava um pequeno barco - ‘barchetta’, em italiano. Ao batizar seu novo modelo com esse nome histórico, a empresa presta homenagem não apenas ao seu próprio legado, mas também a uma das páginas mais importantes do design automobilístico mundial.
Como acontece com o Veloce12 Coupé, cada Barchetta nasce a partir de uma autêntica Ferrari F550 Maranello cuidadosamente selecionada. O automóvel é completamente desmontado e reconstruído pela equipe da Touring, recebendo uma carroceria inteiramente nova confeccionada em fibra de carbono. A estrutura também passa por um amplo reforço para compensar a ausência do teto fixo, garantindo elevados níveis de rigidez torcional sem comprometer a elegância das linhas.
Visualmente, o Barchetta não pretende copiar o clássico Ferrari F550 Barchetta produzido pela própria Ferrari no início dos anos 2000. Em vez disso, a Touring criou uma interpretação própria, com superfícies mais musculosas, traseira profundamente redesenhada e proporções que reforçam a sensação de movimento mesmo quando o carro está parado. O longo capô, a cabine recuada, os para-lamas pronunciados e as superfícies limpas evidenciam uma inspiração nas formas orgânicas dos grandes GT italianos, enquanto detalhes aerodinâmicos discretos contribuem para a estabilidade em altas velocidades. Segundo o chefe de design Matteo Gentile, uma das inspirações foi a elegância e a eficiência hidrodinâmica do tubarão-branco, cuja combinação de força e fluidez orientou boa parte do desenvolvimento estético do modelo.
A ausência do teto transforma completamente a experiência sensorial. O condutor e o passageiro passam a interagir diretamente com o ambiente, ouvindo sem filtros o funcionamento do V12 e sentindo o vento enquanto percorrem estradas costeiras, montanhas ou paisagens rurais italianas - exatamente o tipo de utilização imaginada pela Touring durante o desenvolvimento do projeto.
O interior recebeu atenção igualmente minuciosa. Embora mantenha a arquitetura básica do Ferrari F550 original, praticamente todos os revestimentos foram substituídos. Couros italianos de altíssima qualidade, tecidos naturais, costuras artesanais, acabamentos metálicos usinados e inúmeras possibilidades de personalização fazem com que cada exemplar seja único. Até mesmo materiais, cores, inserções decorativas e detalhes dos comandos podem ser definidos individualmente pelos clientes, respeitando a tradição artesanal da marca milanesa.
Sob o longo capô permanece um dos maiores protagonistas do projeto: o lendário V12 Ferrari F133 de 5.5 litros naturalmente aspirado. A Touring promoveu diversas melhorias mecânicas, incluindo novo sistema de admissão, escapamento redesenhado e refinamentos no gerenciamento do motor. O resultado é uma potência de aproximadamente 503 cv a 7.000 rpm, acompanhada por 760 Nm de torque, enviados exclusivamente às rodas traseiras por meio de um raro câmbio manual de 6 velocidades com a clássica grade metálica exposta - um detalhe praticamente desaparecido na indústria contemporânea e que reforça o caráter purista do automóvel.
O conjunto mecânico é complementado por suspensão adaptativa de última geração, sistema de freios de alto desempenho e pneus de medidas 255/35 R19 na dianteira e 305/30 R19 na traseira. Segundo a Touring, o Barchetta acelera de 0 a 100 km/h em aproximadamente 4.4 segundos e atinge velocidade máxima estimada de 290 km/h, números que privilegiam mais a experiência de condução do que a busca por recordes absolutos.
A produção será extremamente limitada. Enquanto o Veloce12 Coupé está restrito a apenas 30 unidades, o Barchetta será construído em quantidade ainda menor, transformando-se em uma das criações mais exclusivas da história recente da Touring Superleggera. As primeiras entregas estão previstas para ocorrer ao longo de 2026, mantendo a filosofia da empresa de fabricar automóveis praticamente sob medida, onde cada exemplar recebe inúmeras soluções personalizadas conforme os desejos de seu proprietário.
Mais do que um restomod, o Touring Superleggera Veloce12 Barchetta representa uma declaração de princípios. Em uma era dominada por eletrificação, transmissões automáticas e sofisticados assistentes eletrônicos, o pequeno fabricante italiano escolheu seguir o caminho oposto: celebrar o condutor, o câmbio manual, o ronco de um V12 aspirado e a beleza do design artesanal. É um automóvel que não busca competir com os hipercarros mais rápidos do planeta, mas sim preservar uma forma quase esquecida de vivenciar o automóvel - uma experiência onde emoção, elegância e tradição caminham lado a lado, exatamente como a Touring Superleggera faz há quase um século.