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TRIUMPH SPITFIRE MARK III (1968): O CHARME DE UM PEQUENO ESPORTIVO BRITÂNICO EM SUA MELHOR EXPRESSÃO

Na segunda metade dos anos 1960, os pequenos esportivos britânicos viviam um período de grande popularidade, especialmente entre consumidores que procuravam automóveis leves, divertidos de dirigir e relativamente acessíveis. Nesse cenário, a Triumph ocupava uma posição de destaque com o Spitfire, um modelo compacto que havia conquistado admiradores desde seu lançamento, em 1962. Em março de 1967, a marca apresentou a terceira geração do modelo, o Spitfire Mark III, que chegou com importantes melhorias mecânicas, alterações estéticas e um nível superior de conforto.

O projeto original do Spitfire havia sido concebido pelo renomado designer italiano Giovanni Michelotti, utilizando como base componentes mecânicos e estruturais do Triumph Herald. A terceira geração preservou a personalidade visual criada por Michelotti, mas recebeu modificações bastante perceptíveis. A mais evidente estava na dianteira, onde o para-choque foi reposicionado em uma altura intermediária da grade frontal, atendendo às novas exigências de segurança e conferindo ao automóvel uma aparência mais robusta. As luzes de direção e posição foram reposicionadas abaixo do para-choque, enquanto a traseira recebeu novas lanternas e luzes de ré de série.

A carroceria continuava sendo um dos grandes atrativos do pequeno esportivo. O longo capô dianteiro, que podia ser basculado integralmente para facilitar o acesso ao motor e aos componentes mecânicos, contrastava com a cabine compacta de dois lugares e a traseira curta. Em 1968, uma mudança particularmente bem-vinda foi a adoção de uma capota de lona com mecanismo de recolhimento mais prático para a versão conversível, eliminando a necessidade de montar e prender manualmente a cobertura utilizada nas versões anteriores.

No habitáculo, a Triumph também procurou elevar a qualidade percebida. O painel recebeu acabamento em madeira, os bancos foram redesenhados para oferecer maior conforto e o revestimento interno ganhou materiais mais cuidadosos. O volante esportivo, os instrumentos circulares e a posição de condução baixa reforçavam a atmosfera de um verdadeiro automóvel esportivo britânico. Rodas raiadas, teto rígido removível e transmissão com overdrive estavam entre os equipamentos opcionais.

A principal evolução, entretanto, estava na mecânica. O antigo motor de 4 cilindros em linha de 1.147 cm³ foi substituído por uma unidade de 1.296 cm³, com cabeçote de oito dutos, válvulas no cabeçote acionadas por varetas e dois carburadores SU HS2. Com taxa de compressão de 9:1, desenvolvia 75 cv a 6.000 rpm e aproximadamente 102 Nm de torque a 4.000 rpm. A transmissão manual de 4 marchas enviava a potência às rodas traseiras, com overdrive opcional para proporcionar maior conforto em velocidades de cruzeiro.

O chassi independente, derivado da arquitetura do Herald, recebia suspensão dianteira independente e o tradicional sistema traseiro com semieixos oscilantes e feixe de molas transversal. Os freios dianteiros utilizavam discos, enquanto os traseiros empregavam tambores. Com peso em ordem de marcha próximo de 750 kg, o pequeno Triumph apresentava uma relação peso-potência bastante favorável para sua categoria. A velocidade máxima ficava próxima de 155 km/h, e a aceleração de 0 a 96 km/h podia ser realizada em aproximadamente 14 segundos.

O ano de 1968 também foi particularmente significativo para a história do Spitfire. Em 8 de fevereiro, o diretor-geral da Standard-Triumph, George Turnbull, conduziu pessoalmente o exemplar de número 100.000 para fora da linha de montagem da fábrica de Canley, em Coventry. O episódio simbolizava o sucesso internacional do pequeno veículo, cuja produção tinha nos Estados Unidos um de seus principais mercados.

A geração Mark III permaneceu em produção até 1970, quando foi substituída pelo Mark IV, que recebeu uma reformulação mais profunda na carroceria e no interior. Ao todo, foram produzidas 65.320 unidades do Spitfire Mark III, consolidando essa geração como uma das mais importantes da trajetória do modelo.

O Triumph Spitfire Mark III de 1968 representa muito bem a essência dos pequenos esportivos britânicos daquela época: dimensões reduzidas, mecânica relativamente simples, tração traseira, baixo peso e uma carroceria de linhas elegantes. Não precisava de potência exuberante ou equipamentos sofisticados para proporcionar uma experiência de condução envolvente. Seu maior mérito estava justamente na combinação de leveza, agilidade e personalidade.