TRIUMPH TR7 ROADSTER (1981): O ESPORTIVO CONTROVERSO QUE ENCERROU UMA ERA COM ESTILO PRÓPRIO
No início dos anos 1980, em plena crise da British Leyland, a Triumph apresentou o TR7 Roadster de 1981 como a versão conversível final do modelo que marcou o fim da linhagem clássica de roadsters da marca. Lançado originalmente em 1975 com o polêmico design ‘wedge’ (cunha) criado por Harris Mann, o TR7 chegou ao seu último ano de produção com refinamentos que o tornaram mais maduro, ainda que carregasse as marcas de um projeto turbulento.
O visual do TR7 Roadster 1981 era inconfundível: linhas angulares e futuristas para a época, faróis escamoteáveis, uma silhueta baixa e larga (cerca de 4.06 metros de comprimento) e, na versão conversível, uma capota de lona simples que revelava um interior espartano, mas charmoso. O ‘wedge shape’ dividiu opiniões desde o lançamento - alguns o amavam pela modernidade, outros criticavam sua aparência ‘estranha’ em comparação aos TR6 clássicos de linhas suaves. Ainda assim, o Roadster tinha um apelo jovem e esportivo que conquistou uma legião de fãs.
Sob o capô estava o confiável motor 2.0 litros inline-4 (Dolomite) com 8 válvulas, que entregava cerca de 105 cv a 5.500 rpm e torque de 165 Nm. Acoplado a uma transmissão manual de 5 velocidades (ou automática de 3 relações em algumas unidades), permitia aceleração de 0 a 100 km/h em torno de 10 segundos e velocidade máxima próxima de 190 km/h. Não era o mais potente da categoria, mas o TR7 compensava com um chassi de bom equilíbrio (apesar de alguns problemas iniciais de rigidez torcional no coupé), suspensão independente nas quatro rodas e dirigibilidade divertida nas estradas sinuosas britânicas.
Em 1981, o Roadster já incorporava melhorias importantes: maior rigidez da carroceria, freios aprimorados, interior com melhor acabamento e pequenas atualizações estéticas. Era oferecido principalmente com volante de três raios, bancos Recaro opcionais e um painel simples, mas funcional. Produzido em Canley e depois em Solihull, o modelo chegou ao fim da linha naquele ano, com a Triumph encerrando a produção de carros esportivos.
Apesar das controvérsias de design e dos problemas de qualidade típicos da British Leyland, o Triumph TR7 Roadster 1981 conquistou seu lugar na história como um dos últimos roadsters ‘puros’ britânicos da era clássica. Hoje, exemplares bem conservados são bastante valorizados por entusiastas que apreciam seu estilo único, mecânica relativamente simples de manter e o charme nostálgico de um carro que representou o adeus da Triumph aos esportivos abertos.
Um ‘wedge’ que, com o tempo, deixou de ser ‘estranho’ e se tornou icônico.