UM FERRARI F275 GTB SPECIALE ÚNICO E DE USO PESSOAL DE BATTISTA ‘PININ’ FARINA SERÁ LEILOADO NOS ESTADOS UNIDOS
No próximo final de semana será leiloado em Scottsdale (Arizona), uma verdadeira peça única, o Ferrari F275 GTB Speciale de uso pessoal de Battista ‘Pinin’ Farina, o fundador da Carrozzeria Pininfarina. Equipado com inúmeras modificações em relação aos outros exemplares de produção regular do modelo, este exemplar foi utilizado pelo genial designer como veículo de uso diário até o seu falecimento em abril de 1966 aos 73 anos.
Este foi um dos dois protótipos de pré-produção encarroçados pela Pininfarina do modelo em 1965, em vez de ser feito por Sergio Scaglietti em suas oficinas de Modena, como era habitual. O primeiro deles portou o número de chassi 06003 e serviu de protótipo inicial, mas o segundo, de chassi 06437, foi utilizado como modelo de exibição, o exemplar que aparece nas imagens.
Assim, não só foi mostrado em diversos salões internacionais, como conta com notáveis diferenças em relação ao modelo de produção, algumas delas adiantadas décadas do seu tempo e indicadas pelo próprio Battista ‘Pinin’ Farina.
Embora à primeira vista a única coisa que possa parecer estranha nesse carro é a raríssima cor ‘Acqua Verde Metallizzato’, uma opção pertencente ao catálogo da Alfa Romeo na época, a verdade é que se prestarmos atenção podemos encontrar várias diferenças em relação às outras unidades do modelo.
Seu desenho básico é o mesmo da versão ‘short-nose’, a revelada inicialmente do F275 GTB, mas todos os seus elementos e detalhes de desenho são únicos. Inclusive a própria estrutura é diferente, já que este não foi encarroçado pela Scaglietti, como toda a produção do modelo, mas pela Pininfarina.
Desde o para-choque dianteiro até a grade, passando pelos faróis e os piscas laterais, tudo é novo, com formas totalmente diferentes aos utilizados posteriormente pela Ferrari nos F275 GTB short-nose. Os motivos dessas mudanças não se deram por uma falha de projeto, mas pelo próprio desejo expresso de Pininfarina, que tratou de encarroçar o veículo da maneira mais bela possível. Por isso, o para-choque é um pouco menor, os faróis são ligeiramente diferentes em relação ao tamanho e os piscas são mais proeminentes e esculpidos, para dar alguns poucos exemplos.
Mas também houve detalhes completamente novos e únicos, que nunca estiveram presentes nos outros exemplares do modelo, como a janela do condutor, fabricada em uma só peça sem o quebra-vento, já que Pininfarina dizia que ele deformava a pureza das linhas do modelo. Curiosamente, esse elemento está presente somente do lado direito, o do passageiro.
Outro detalhe único, mas na ocasião adiantado décadas no seu tempo, foi o difusor traseiro. Nas imagens da parte traseira podemos ver três elementos verticais da mesma cor da carroceria abaixo do para-choque cromado, como quilhas. Um elemento muito habitual atualmente, mas que em 1965 era uma novidade. Não é possível precisar qual foi o primeiro modelo da história que contou com esse elemento aerodinâmico, mas esse exemplar certamente é um dos mais antigos que se tem registro.
No interior aparece o mesmo esquema. À primeira vista é o habitáculo de um Ferrari F275 GTB a mais, mas está cheio de pequenos detalhes que o diferenciam claramente dos outros. Equipado com novos e mais confortáveis bancos de couro, conta com vidros elétricos e dois novos relógios Heuer Rally-Master no console central. Os materiais utilizados nos revestimentos são de maior qualidade e oferecem melhor aparência ao Gran Turismo italiano, representando a melhor assinatura que a Pininfarina pudesse deixar nessa unidade.
Pouco depois do falecimento de Battista ‘Pinin’ Farina em 1966, o F275 GTB Speciale foi vendido e desde então passou por muitas mãos. Primeiro esteve alguns anos na Itália, mas em 1970 foi levado aos Estados Unidos, onde passou novamente por várias mãos. Mais tarde atravessou o Atlântico novamente até o Reino Unido e agora o seu proprietário atual está leiloando o carro no evento da Gooding & Company de Scottsdale, no Arizona, que acontecerá neste mesmo final de semana.
Seu estado é magnífico e como não poderia ser de outra maneira, sua estranha natureza lhe confere um altíssimo valor. Os especialistas da Gooding & Company estimam seu preço de venda entre 8 e 10 milhões de dólares, chegando perto dos exemplares mais caros do modelo, as raríssimas versões GTB/C Speciale de competição e os NART Spider, ambas as versões com produções que não ultrapassaram os 10 exemplares.