UM MONSTRO DE UMA SÓ PESSOA: O BAC MONO R 2025 REDEFINE O QUE SIGNIFICA SER RÁPIDO E PURO
Em um mundo onde supercarros parecem competir por quem tem mais telas, portas ou cavalos elétricos, a Briggs Automotive Company (BAC), lá de Liverpool, continua fiel a uma fórmula radical: um assento só, cockpit aberto, peso mínimo e performance máxima. O BAC Mono R 2025, a versão mais extrema e refinada da linha Mono, chega como a evolução definitiva desse conceito britânico - um carro que parece saído de uma pista de Fórmula 3, mas que é totalmente legal para rodar nas ruas.
Lançado originalmente em 2019 como edição limitada de apenas 40 unidades, o Mono R ganhou atualizações sutis mas significativas para o modelo 2025, mantendo sua essência de recordista. O destaque continua sendo o motor de 2.5 litros e 4 cilindros aspirado, desenvolvido em parceria com a Mountune Racing a partir do bloco Ford Duratec. Com aumentos no diâmetro dos cilindros, virabrequim billet, sistema de admissão tipo Fórmula com ram-air inspirado em F3 e throttle drive-by-wire de resposta ultrarrápida, o propulsor agora entrega 343 cv a 8.800 rpm e 330 Nm de torque - números que rendem um recorde mundial para motores aspirados de rua: 137 cv por litro.
O resultado é brutal. Com peso seco de apenas 555 kg (graças ao uso extensivo de carbono infundido com grafeno nas carrocerias superior e inferior, além de painéis ultra-leves), o Mono R alcança uma relação peso-potência de impressionantes 618 cv por tonelada. Acelera de 0 a 100 km/h em 2.5 segundos e atinge a velocidade máxima de 275 km/h. Em testes reais, como os realizados pela revista evo no circuito de Anglesey, o Mono R se tornou o carro de rua mais rápido já cronometrado no local - superando até hypercars e deixando o McLaren P1 GTR para trás por segundos inteiros.
Visualmente, o Mono R 2025 mantém a silhueta agressiva e simétrica que define a marca: assento central, sem para-brisa, faróis embutidos no nariz afilado e o característico ‘bazooka’ de admissão à esquerda, que alimenta o motor com ar pressurizado em alta velocidade. A carroceria em carbono exposto pode ser personalizada ao extremo via programa BAC Bespoke - cores, acabamentos, até detalhes como grafias em ouro sunburst ou moldes de assento feitos sob medida para o corpo do dono. Exemplos recentes, como a unidade entregue ao YouTuber Jordan Maron em vermelho com toques dourados, mostram como cada Mono R vira uma peça única, quase uma escultura funcional.
A transmissão é uma Hewland FTR sequencial de 6 velocidades - praticamente idêntica à de um carro de Fórmula 3 -, montada como elemento estrutural do chassi. A suspensão pushrod com duplos triângulos em aço, amortecedores ajustáveis e geometria otimizada (camber, Ackermann, roll center) garante comportamento afiado: preciso nas curvas, com downforce gerado pela forma da carroceria e tração traseira que transforma cada aceleração em uma lição de física aplicada. O equilíbrio é quase perfeito, 49/51 dianteiro/traseiro, com centro de gravidade baixíssimo.
Dirigir um Mono R é uma experiência visceral e sem filtros. O vento bate direto no rosto, o ronco do quatro-cilindros sobe até 9.000 rpm, vibrações do motor atravessam a espinha e a visão frontal é pura - sem pilares, sem distrações. É um carro que exige respeito: intolerante a imperfeições do asfalto em modo track, mas surpreendentemente utilizável em estradas boas, graças ao refinamento acumulado em mais de uma década de evolução.
Em 2025, com o mercado inundado de EVs e híbridos pesados, o BAC Mono R soa como um manifesto analógico: menos é mais. Sem supérfluos, sem compromissos, só performance crua, engenharia obsessiva e a sensação de ser um com a máquina. Para quem consegue uma das poucas unidades restantes (preço base gira em torno de 218.000 libras esterlinas, ou equivalente a mais de 1.5 milhão de reais dependendo do câmbio e personalizações), não é apenas um carro - é a prova viva de que, às vezes, um assento só basta para fazer o coração disparar.