VOLKSWAGEN INICIA A PRODUÇÃO DE VEÍCULOS NO QUÊNIA
Assim como estava previsto, teve início a produção local do Volkswagen Polo Vivo no Quênia antes de terminar o ano. É a terceira planta industrial da Volkswagen no continente africano depois da África do Sul e Nigéria, e logo mais se somará a Argélia. A Volkswagen toma posições na África visando o futuro.
Já faz 60 anos que a marca alemã começou a produzir veículos nesse continente, pouco conhecido por sua indústria automobilística. Fundamentalmente essas fábricas se encarregam exclusivamente em produzir modelos exclusivos para os mercados da região.
A planta Kenya Vehicle Manufacturers (KVM) se localiza em Thika, perto da capital, Nairobi. Por enquanto conta com uma capacidade anual de 1.000 carros, que chegam parcialmente montados da África do Sul e são completados localmente. Em outras palavras, trata-se de um ‘Complete Knock Down’ ou CKD. É mais interessante importar os veículos por peças que completos devido aos impostos, além de gerar trabalho local.
Mais adiante a marca alemã planeja aumentar a produção a 5.000 unidades ao ano, e poderão ser contemplados outros modelos conforme a demanda no continente vá aumentando. No site queniano da Volkswagen são mostrados os seguintes modelos: Polo, Jetta, CC, Golf, Passat, Tiguan, Touareg, Amarok, Caddy, Transporter e Multivan.
Com um PIB per capita de 1.519 dólares, é evidente que a maioria desses carros esteja fora do alcance do cidadão médio. No entanto, como em outros tantos países subdesenvolvidos, começa a emergir uma classe média que pode permitir-se em ter um carro, e acima de tudo novo.
O Volkswagen Polo Vivo é baseado na geração anterior do compacto, um carro que está muito acima do típico carro que circula pelo país atualmente. Afinal de contas, é um carro de padrão europeu deste século, portanto, não está tão defasado.
Em 2015 não foram produzidos na África nem um milhão de veículos no total. Foram fabricados exatamente 835.937 veículos, a grande maioria na África do Sul e em menor escala no Marrocos. Os polos industriais automobilísticos africanos se concentram hoje na África do Sul e no Magreb. A zona central do continente é um território virgem em múltiplos aspectos.
A Nigéria também tem a presença da Volkswagen desde 2015, quando começou a produção do Amarok e do Jetta. Na realidade, os alemães já estiveram presentes nesse país de 1975 a 1990, mas os trabalhos foram encerrados pela escassa demanda e problemas de qualidade. Os empregados quenianos recebem formação de seus colegas sul-africanos, mais experientes na montagem de carros.
A indústria automobilística queniana hoje ainda é muito precária, sem fornecedores. Pouco a pouco a Volkswagen pretende adquirir peças dentro do país para ser mais competitiva, e o parque de fornecedores irá se tornar mais interessante ao país como centro produtivo. Se começa assim, com baixos volumes, antes de ter vários fabricantes trabalhando a todo vapor.
A Volkswagen é um dos principais jogadores do tabuleiro mundial de fabricantes. No clube dos 10 milhões de veículos estão agora a Toyota, a Volkswagen e praticamente a General Motors. Por outro lado, a tríplice aliança entre Renault, Nissan e Mitsubishi também dará lugar a um volume anual desse calibre, somando as três marcas.
O mercado africano tem potencial de crescimento em longo prazo, hoje há poucos carros por habitante, não existe o problema de saturação ou contaminação, presentes hoje nos países mais desenvolvidos, e podem ser vendidos modelos que não sejam o último grito em termos de tecnologia.
Na imagem, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta com Herbert Diess, conselheiro delegado da Volkswagen.