1964 - FACEL VEGA FACEL II
No início dos anos 1960, quando o mundo automotivo era dominado por ícones como Ferrari, Maserati e Aston Martin, um carro francês ousou roubar a cena com uma combinação única de sofisticação, potência e exclusividade. O Facel Vega Facel II, produzido entre 1961 e 1964, com alguns exemplares finalizados em 1965, é a personificação do luxo Gran Turismo, um marco da engenhosidade francesa que ainda hoje fascina colecionadores e entusiastas.
Design: Uma Obra de Arte Sobre Rodas
Apresentado no Salão de Paris em 1961, o Facel II foi aclamado como uma das mais belas criações automotivas de sua era. Com linhas elegantes e uma silhueta baixa e esguia, o carro exibia um teto rebaixado que lhe conferia uma presença imponente e aerodinâmica. Seus faróis Marchal Mégalux, com design integrado, e as lanternas traseiras circulares adicionais eram toques de requinte que remetiam aos melhores estilistas italianos da época. A grade frontal vertical, adornada com detalhes em aço inoxidável, tornou-se a assinatura visual da Facel Vega, evocando classe e distinção.
O interior era um santuário de luxo, com bancos de couro anatômicos, um painel metálico meticulosamente pintado para imitar madeira e controles inspirados em aviões. Cada detalhe, desde as sete camadas de pintura celulósica na carroceria até os acabamentos internos, refletia a obsessão de Jean Daninos, presidente da Facel, por criar um automóvel que rivalizasse com os melhores do mundo.
Performance: O Coupé de Quatro Lugares Mais Rápido do Mundo
O Facel II não era apenas um rosto bonito. Equipado com um motor Chrysler V8 de 6.3 litros, produzia até 390 cv na versão com transmissão manual Pont-à-Mousson de 4 velocidades ou 355 cv com a caixa automática Torqueflite. Em testes, o coupé atingia velocidades superiores a 240 km/h e acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 9 segundos - números impressionantes para um carro de 1.880 kg, capaz de transportar quatro passageiros com conforto. A Facel Vega orgulhosamente o anunciava como “Le Coupé 4-places le plus rapide du Monde” (o coupé de quatro lugares mais rápido do mundo), superando até mesmo rivais como o Aston Martin DB4 e o Mercedes-Benz 300 SL em aceleração até 100 km/h.
Com freios a disco Dunlop nas quatro rodas, direção assistida Hydrosteer e, em modelos posteriores, amortecedores ajustáveis Armstrong Selecta-Ride, o Facel II oferecia uma experiência de condução que combinava desempenho bruto com conforto de cruzeiro, ideal para longas viagens pelas estradas europeias.
Exclusividade e Legado
Apenas 182 unidades do Facel II foram produzidas, tornando-o um dos carros mais raros e cobiçados da década de 1960. Seu preço, equiparável ao de um Rolls-Royce, atraía uma clientela seleta, incluindo celebridades como Ringo Starr, Tony Curtis, Ava Gardner e pilotos como Stirling Moss e Maurice Trintignant. A exclusividade era reforçada pela construção artesanal, com cada carro montado à mão na fábrica da Facel em Colombes, nos arredores de Paris.
Infelizmente, a trajetória da Facel Vega foi interrompida em 1964, quando a empresa enfrentou falência devido a problemas financeiros causados pelo modelo Facellia, com seu motor próprio problemático. Apesar disso, o Facel II permanece como o ápice da visão de Jean Daninos de reviver a tradição dos grandes Gran Turismo franceses, como Delage e Delahaye.
O Facel II Hoje
Hoje, o Facel II é um ícone entre os colecionadores, com valores de leilão variando entre 95.000 e mais de 400.000 dólares, dependendo da condição e histórico, como o exemplar de Ringo Starr, vendido por 337.500 libras esterlinas em 2013. Sua combinação de design atemporal, desempenho excepcional e raridade o torna uma joia para entusiastas de carros clássicos. Restaurar um Facel II é um projeto apaixonante, mas exige dedicação, já que peças são escassas e muitas vezes fornecidas por especialistas como a Amicale Facel Vega.
O Facel Vega Facel II de 1965 não é apenas um carro; é um testemunho da ambição francesa de criar algo extraordinário, um símbolo de uma era em que o automóvel era uma expressão de arte, poder e exclusividade. Para aqueles que têm a sorte de vê-lo ou dirigi-lo, ele continua a inspirar admiração, como uma estrela brilhante - não por acaso, batizada em homenagem à Vega, a mais reluzente da constelação de Lyra.