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1964 - CITROEN 2CV AZAM

Na França dos anos 1960, poucos automóveis representavam tão bem o espírito de mobilidade popular quanto o Citroën 2CV. Criado para oferecer transporte econômico, robusto e acessível, o pequeno modelo havia conquistado uma posição especial na sociedade francesa, graças à sua personalidade inconfundível e à capacidade de enfrentar estradas precárias com surpreendente desenvoltura. Em 1963, a Citroën decidiu dar um passo adiante nessa trajetória com o lançamento do 2CV AZAM, uma versão mais refinada que procurava acrescentar conforto e elegância sem abandonar a filosofia original do projeto.

A sigla AZAM vinha da expressão francesa AZ Améliorée, ou seja, AZ aprimorado. Apresentado oficialmente no Salão de Genebra de março de 1963, o modelo representava a interpretação mais sofisticada do 2CV até então, posicionando-se acima das versões convencionais da linha. A proposta não era transformar o pequeno Citroën em um automóvel de luxo, mas demonstrar que mesmo um veículo concebido sob rigorosos princípios de economia poderia oferecer um acabamento mais cuidadoso e equipamentos adicionais.

Visualmente, o AZAM preservava as linhas arredondadas e imediatamente reconhecíveis do 2CV, mas incorporava uma série de detalhes que o distinguiam das versões mais simples. Entre eles estavam os para-choques com protetores tubulares cromados, calotas inspiradas nas utilizadas pelo Citroën Ami 6, frisos de alumínio polido no capô, molduras cromadas nos faróis e braços dos limpadores de para-brisa também cromados. As molduras das janelas recebiam acabamento em aço inoxidável, enquanto as novas maçanetas davam um aspecto mais elaborado à carroceria.

No interior, as mudanças eram ainda mais significativas para um automóvel dessa categoria. Os bancos receberam novos revestimentos e estofamento mais confortável, inspirado no Ami 6, enquanto o banco dianteiro passou a contar com trilhos para regulagem longitudinal. O volante de dois raios Quillery, com desenho característico, acompanhava um painel de instrumentos atualizado, com velocímetro, marcador de combustível e indicadores elétricos. O equipamento incluía ainda limpadores de para-brisa elétricos, iluminação interna, quebra-sol para o passageiro com espelho e um prático compartimento porta-objetos atrás do banco traseiro.

Mecanicamente, o AZAM mantinha o conhecido motor bicilíndrico horizontalmente oposto, refrigerado a ar, com 425 cm³ de cilindrada. A unidade havia recebido aperfeiçoamentos que elevaram sua potência para aproximadamente 18 cv a 5.000 rpm. Alimentado por carburador Solex, o pequeno propulsor trabalhava em conjunto com uma transmissão manual de 4 velocidades, responsável por enviar a força às rodas dianteiras. A suspensão independente nas quatro rodas, com molas interligadas longitudinalmente, continuava sendo um dos grandes diferenciais técnicos do 2CV, permitindo que o automóvel enfrentasse pisos irregulares com notável capacidade de absorção de impactos.

O ano de 1964 também marcou uma alteração importante para toda a família 2CV: em dezembro, as portas dianteiras, que até então eram articuladas na parte traseira e abriam no sentido contrário ao convencional, passaram a utilizar dobradiças dianteiras, atendendo às exigências da legislação francesa. No restante, o AZAM manteve essencialmente suas características, consolidando sua posição como a alternativa mais confortável da linha.

A versão AZAM permaneceu em produção até 1967, quando foi substituída pela AZAM Export, ainda mais equipada e refinada. Sua importância está justamente em demonstrar a capacidade da Citroën de modernizar um projeto concebido originalmente antes da Segunda Guerra Mundial, preservando sua essência e ampliando seu apelo junto a consumidores que desejavam um pouco mais de conforto no cotidiano.

O Citroën 2CV AZAM de 1964 é, portanto, uma interessante representação da engenharia francesa: um automóvel de concepção extremamente simples, mas dotado de soluções técnicas inteligentes, personalidade marcante e uma capacidade admirável de cumprir sua missão. Afinal, sua maior virtude nunca foi a velocidade ou o luxo, mas a maneira singular como transformou a simplicidade em uma qualidade automobilística.

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