A Automobiles Antony foi um pequeno fabricante de automóveis francês sediado em Douai, no norte da França, que operou entre 1921 e 1932. Fundada por Louis-Auguste Antony, um engenheiro nascido em 1885, a empresa reflete a visão e a paixão de seu criador por veículos motorizados, com foco em carros de competição, embora também tenha produzido alguns modelos de passeio.
Louis-Auguste Antony, filho de comerciantes de bicicletas, desenvolveu interesse por mecânica desde jovem. Após obter sua licença de motorista em 1901 e um diploma de engenheiro, ele acumulou experiência trabalhando com fabricantes como Scap e Suère, além de pilotar carros de corrida, incluindo um FIAT Grand Prix em 1907. Essa bagagem técnica e prática o levou a fundar a Automobiles Antony em 1921, com o objetivo de criar veículos inovadores, especialmente para competições.
A Antony destacou-se principalmente por seus carros de corrida, como o icônico Bergamotte Racer, La Punaise e La Goutte d’Eau, que competiram em eventos prestigiados como o Bol d’Or. A equipe de corrida da empresa, conhecida como ‘Les Souris Bleues’ (Os Ratos Azuis), conquistou várias vitórias de classe, especialmente entre 1930 e 1933, com o próprio Antony frequentemente ao volante. Seus racers eram conhecidos por designs ousados, como chassis rebaixados, transmissão por correntes sem diferencial e freios apenas nas rodas dianteiras, refletindo as ideias excêntricas de Antony sobre desempenho em pistas.
No entanto, os carros de passeio da Antony, como um modelo torpedo de turismo com motor de 1.500 cm³, não alcançaram sucesso comercial. A empresa enfrentou dificuldades financeiras, agravadas pela crise econômica global dos anos 1920 e início dos 1930. A produção era limitada, e a falta de demanda pelos modelos de rua, combinada com o alto custo de desenvolvimento dos carros de corrida, levou ao fechamento da fábrica em 1932.
Após o fim da Automobiles Antony, Louis-Auguste continuou envolvido com automobilismo até sua morte em 1958. Seus carros permaneceram esquecidos por décadas, armazenados em uma fazenda no norte da França, até serem redescobertos e restaurados a partir dos anos 2010. Hoje, veículos como o Bergamotte Racer são valorizados em eventos de carros antigos, como o Vintage Revival Monthléry, preservando o legado de uma marca que, embora pequena e efêmera, marcou a história do automobilismo francês com sua ousadia e originalidade.