A Artega Automobil GmbH & Co. KG foi um fabricante alemão de carros esportivos de luxo, fundado em 2006 por Klaus Dieter Frers, um engenheiro mecânico com experiência em empresas como AEG-Telefunken e Nixdorf Computer, além de fundador da Paragon Electronics GmbH. Sediada em Delbrück, na Renânia do Norte-Westfália, Alemanha, a Artega buscava criar veículos exclusivos, combinando design sofisticado, engenharia avançada e desempenho de alto nível, com foco em um nicho de mercado que valorizava exclusividade.
O primeiro modelo da empresa, o Artega GT, foi apresentado como protótipo sem motor no Salão de Frankfurt de 2007 e estreou como versão de produção no Salão de Genebra de 2008, sob a edição especial ‘Intro 2008’. Projetado por Henrik Fisker, conhecido por projetos como o Aston Martin DB9 e BMW Z8, o GT era um coupé esportivo de dois lugares com motor central-traseiro e tração traseira. Sua estrutura utilizava um chassi espacial de alumínio e carroceria reforçada com fibra de carbono, resultando em um peso leve de cerca de 1.100 kg. Equipado com um motor Volkswagen VR6 3.6 de injeção direta, entregava 300 cv e 350 Nm, acoplado a uma transmissão DSG de 6 velocidades. O carro acelerava de 0 a 100 km/h em menos de 5 segundos e alcançava uma velocidade máxima superior a 270 km/h. Apenas 153 unidades foram produzidas, o que reforça sua raridade.
Em 2008, Klaus Frers anunciou planos ambiciosos, incluindo um conceito de veículo movido a energia solar para competir com modelos como o Tesla Roadster e o Fisker Karma. No entanto, a crise econômica global de 2008-2009 impactou severamente as vendas de carros de luxo, dificultando a consolidação da marca. Em 2010, a empresa passou por uma reestruturação, com a Tresalia Capital, uma firma de investimentos mexicana, assumindo o controle. Frers deixou a empresa, e Wolfgang Ziebart, ex-executivo da Continental AG, tornou-se CEO.
Em 2011, a Artega apresentou o Artega SE (Sports Electric), uma versão elétrica do GT, com dois motores elétricos que geravam 380 cv e uma bateria de 37 kWh, oferecendo autonomia de 200-300 km. Apesar do avanço técnico, o modelo enfrentou desafios comerciais. Em julho de 2012, a Artega declarou falência, interrompendo a produção do GT e do SE. No mesmo ano, a Paragon AG, empresa também fundada por Frers, adquiriu os ativos da Artega, mantendo o foco em tecnologia e sem planos imediatos para retomar a produção de carros.
Em 2015, a Artega ressurgiu no Salão de Frankfurt com dois novos projetos: o Artega Scalo, um coupé esportivo elétrico baseado no GT, com dois motores elétricos na traseira gerando 408 cv e 764 Nm, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 3.6 segundos; e o Artega Karo, um quadriciclo elétrico semelhante a um ATV, com bateria de 5.3 kWh. O Karo foi renomeado Karo-Isetta em homenagem ao clássico microcarro, mas não alcançou grande sucesso.
Em 2017, a Artega revelou o Scalo Superelletra no Salão de Genebra, um coupé elétrico de três lugares com design da Carrozzeria Touring Superleggera. Equipado com quatro motores elétricos (um por roda) e potência total de 1.020 cv, utilizava um chassi monocasco de fibra de carbono. Apesar do impacto visual, o modelo permaneceu como conceito, sem produção em massa.
A Artega enfrentou dificuldades para se manter competitiva em um mercado dominado por grandes montadoras e startups de elétricos. Em 2022, a empresa alemã de veículos elétricos ElectricBrands adquiriu a Artega, com planos de produzir o Karo-Isetta (rebatizado como Evetta). No entanto, a ElectricBrands entrou em insolvência em 2024, marcando o fim da marca Artega, que não conseguiu lançar novos veículos.
A história da Artega reflete a ambição de criar supercarros exclusivos e inovadores, mas também os desafios de sustentabilidade financeira em um setor altamente competitivo. Seus modelos, como o GT e o Scalo, permanecem como testemunhos de um design arrojado e engenharia de ponta, ainda que restritos a colecionadores e entusiastas.