A ASL (Autobacs Sportscar Laboratory) é uma divisão da Autobacs Seven, uma gigante japonesa no setor de acessórios automotivos, conhecida por sua rede de lojas e envolvimento no automobilismo. Fundada em 1995, a ASL foi criada com o objetivo de desenvolver carros esportivos e participar de competições, especialmente no All Japan Grand Touring Car Championship (JGTC), que mais tarde se tornou o Super GT. A empresa é mais conhecida pelo desenvolvimento do ASL Garaiya, um carro esportivo que marcou sua trajetória no automobilismo japonês.
A Autobacs Seven, com sede em Tokyo, já patrocinava equipes no JGTC desde os anos 1990, mas a criação da ASL representou um passo além: a construção de um carro próprio para competir na categoria GT300. Inspirada pelo sucesso do Tommykaira ZZ, um esportivo leve, a ASL começou a desenvolver o Garaiya em 1999, com o objetivo de criar um veículo de rua que pudesse ser adaptado para as pistas. O nome ‘Garaiya’ vem de um lendário ladrão da dinastia Ming, simbolizando agilidade e audácia, características que a ASL queria incorporar ao carro.
O ASL Garaiya foi apresentado como protótipo no Salão de Tokyo de 2001, projetado para ser um esportivo leve com chassi de alumínio e aço, motor central-traseiro e design inspirado em carros europeus, como o Alfa Romeo 147 (de onde vieram suas lanternas traseiras). Embora o plano inicial fosse produzir o Garaiya para o mercado de rua, questões financeiras e de certificação limitaram sua produção a apenas protótipos. Mesmo assim, a ASL adaptou o carro para competição, estreando o Garaiya GT300 em 2003 no JGTC, em parceria com a Autobacs Racing Team Aguri (ARTA), liderada pelo ex-piloto de Fórmula 1 Aguri Suzuki.
A ASL, através da ARTA, competiu na categoria GT300 do JGTC/Super GT com o Garaiya GT300 entre 2003 e 2012. O carro foi pilotado por duplas como Morio Nitta e Shinichi Takagi, enfrentando rivais como Nissan Fairlady Z e Porsche 911. Apesar de desafios iniciais, como a falta de potência do motor Nissan SR20DET 2.0 L turbo em 2003, o Garaiya evoluiu com a adoção do motor VQ35DE 3.5 L V6 em 2004, conquistando vitórias em corridas como Fuji (2007 e 2009) e um vice-campeonato em 2004. O programa foi interrompido em 2006 devido à pressão por resultados, mas retomado em 2007 para celebrar os 10 anos da ARTA, continuando até 2012, quando mudanças nas regras da Super GT encerraram a participação do Garaiya.
A ASL trabalhava em colaboração com outras empresas para otimizar o Garaiya GT300. A A’PEXi, especialista em tuning, foi responsável por ajustes aerodinâmicos e no motor, enquanto a Mid West Racing e a Ogura preparavam os motores. A equipe ARTA, embora operacionalmente distinta, era o braço competitivo da ASL nas pistas, garantindo a execução do projeto. A ASL também contava com o apoio de patrocinadores como a Autobacs e fornecedores de pneus, como BF Goodrich e Michelin.
Embora o Garaiya nunca tenha sido produzido em massa, ele se tornou um ícone no automobilismo japonês, aparecendo em jogos como Gran Turismo e sendo exibido em eventos promocionais da Autobacs, incluindo uma exposição na França em 2006. A ASL também demonstrou inovação ao apoiar um projeto da Osaka Sangyo University, que converteu um protótipo do Garaiya em veículo elétrico. Apesar de seu foco principal ter sido o Garaiya, a ASL contribuiu para fortalecer a presença da Autobacs no automobilismo, consolidando sua reputação como uma marca apaixonada por desempenho.
O ASL Garaiya, como projeto, reflete a ambição da Autobacs de unir inovação, design e competição, deixando um legado duradouro no Super GT e na cultura automotiva japonesa, mesmo com uma trajetória marcada por desafios técnicos e financeiros.