A De Tomaso Automobili é um lendário fabricante italiano de carros esportivos, fundada em 1959 por Alejandro de Tomaso, um argentino nascido em Buenos Aires em 1928, que se mudou para a Itália na década de 1950 após uma carreira inicial como piloto de corridas. Apaixonado por automobilismo, De Tomaso trouxe sua visão de combinar design italiano com potência inspirada em muscle cars americanos, estabelecendo a empresa em Módena, coração do automobilismo italiano.
Inicialmente, a De Tomaso focou em carros de competição, construindo monopostos para categorias como Fórmula Junior e Fórmula 3, mas logo passou a produzir esportivos de rua com apelo exótico. O primeiro modelo notável foi o Vallelunga (1963), um coupé leve com chassi de espinha dorsal (backbone chassis) e motor Ford de 1.6 litros, que introduziu a filosofia da marca: design elegante, construção leve e desempenho acessível. O Vallelunga, com carroceria de fibra de vidro projetada por Fissore, foi produzido em cerca de 50 unidades e lançou as bases para futuros modelos. O grande sucesso veio com o Mangusta (1967), projetado por Giorgetto Giugiaro, então na Ghia. Com um motor Ford V8 de 4.7 litros e chassi derivado do Vallelunga, o Mangusta era um supercarro com portas ‘asa de gaivota’ e estilo agressivo, embora sua dirigibilidade fosse desafiadora devido à distribuição de peso traseira. Cerca de 400 unidades foram produzidas, consolidando a De Tomaso no mercado internacional.
O auge da marca foi o Pantera (1971-1992), um ícone que combinava um motor Ford V8 (inicialmente 5.8 litros, depois 5.0) com um design marcante de Tom Tjaarda, também da Ghia. O Pantera, com chassi monocoque, era potente, acessível comparado a rivais italianos como Ferrari e Lamborghini, e foi vendido em mais de 7.000 unidades, especialmente nos EUA, onde a Ford o distribuiu através de concessionárias Lincoln-Mercury. Apesar do sucesso inicial, a crise do petróleo dos anos 1970 e problemas de qualidade levaram a Ford a encerrar a parceria em 1974, mas a De Tomaso continuou produzindo o Pantera até os anos 1990.
Além dos esportivos, a De Tomaso diversificou sua linha com o Deauville (1970), um sedan de luxo com motor Ford V8, e o Longchamp (1972), um coupé 2/2, ambos projetados por Tjaarda, mas com produção limitada devido ao alto custo e mercado restrito. A De Tomaso enfrentou dificuldades financeiras nos anos 1980, agravadas pela recessão e pela concorrência. Após um derrame em 1993, Alejandro reduziu sua participação, e a empresa entrou em declínio, encerrando a produção do Pantera em 1992 e do Guarà (1993-2004), seu último modelo, um esportivo leve com motor BMW (posteriormente Ford). A empresa faliu em 2004, ano em que Alejandro faleceu.
Em 2009, a marca foi revivida por Gian Mario Rossignolo, que planejou relançar o nome com o De Tomaso Deauville, um crossover de luxo apresentado em 2011, mas o projeto fracassou, e a empresa faliu novamente em 2012. Desde 2014, a De Tomaso pertence à Ideal Team Ventures, com sede em Hong Kong, que relançou a marca com o P72 (2019), um supercarro retro inspirado no P70 de competição dos anos 1960, equipado com um motor Ford V8 superalimentado. A produção, limitada a 72 unidades, marca o retorno da De Tomaso ao cenário automotivo de alto desempenho.
O legado da De Tomaso reside em sua ousadia de combinar engenharia italiana com potência americana, criando carros icônicos como o Pantera, que ainda hoje é cultuado por entusiastas. A marca simboliza a visão obstinada de Alejandro de Tomaso, um ‘outsider’ que desafiou gigantes do automobilismo com designs atemporais e espírito competitivo.