A DuPont Motor Car Company foi fundada em 1919, em Wilmington, Delaware, por E. Paul DuPont, membro da influente família DuPont, ligada ao poderoso conglomerado químico-industrial. Diferente da grande empresa do mesmo sobrenome, a DuPont Motor Car Company era um empreendimento independente, voltado à produção de automóveis de luxo em pequena escala.
A ambição era clara: criar veículos que rivalizassem em refinamento e exclusividade com os melhores carros europeus e com marcas americanas de prestígio, como Packard, Pierce-Arrow e Duesenberg. Para isso, a empresa adotou uma estratégia típica das marcas de luxo da época: montar chassis de alta qualidade, com motores potentes, e oferecer carrocerias personalizadas, desenvolvidas por renomados encarroçadores como Merrimac e Waterhouse.
O primeiro modelo, o DuPont Model A, surgiu em 1919, mas foi com o Model G, lançado em 1928, que a marca ganhou destaque. Esse automóvel utilizava um motor de 8 cilindros em linha, desenvolvido pela Continental, capaz de entregar desempenho respeitável para sua classe. Mais importante ainda era o estilo: o Model G podia receber carrocerias sob medida, que variavam de roadsters esportivos a sedans formais, todos luxuosamente equipados.
A DuPont nunca buscou volume de produção - entre 1919 e 1931, estima-se que tenham sido fabricados apenas 273 automóveis, um número diminuto se comparado aos milhares de unidades de marcas maiores. Justamente por isso, seus carros eram tratados como peças exclusivas, muitas vezes adquiridos por artistas de Hollywood e membros da alta sociedade americana.
O fim da marca ocorreu em 1931, durante a Grande Depressão, que derrubou inúmeras montadoras de luxo incapazes de manter suas operações em meio à crise. E. Paul DuPont, no entanto, não se afastou do mundo automotivo: em 1935, tornou-se presidente da Indian Motorcycle Company, ajudando a revitalizar a lendária fabricante de motocicletas.
Hoje, os automóveis da DuPont Motor Car Company são considerados raridades absolutas. Com pouco mais de duas centenas produzidas e menos de trinta sobreviventes conhecidos, são disputados em leilões internacionais, alcançando cifras milionárias. Cada exemplar remanescente é testemunho de uma era em que os automóveis eram feitos sob encomenda, refletindo a personalidade e o status de seus proprietários.