A Georges Irat foi um fabricante francês de automóveis que operou entre 1921 e 1953, destacando-se pela produção de carros esportivos de luxo com o slogan ‘La voiture de l’élite’. Fundada por Georges Irat, a empresa teve sua origem em Chatou, na França, a partir da aquisição da marca Majola. Seu primeiro modelo, lançado em 1921, foi um carro com motor de 4 cilindros e 1.990 cm³, projetado por Maurice Gaultier, ex-engenheiro da Delage. Em 1926, a gama foi expandida com a introdução de um motor de 6 cilindros de 2.985 cm³. Em 1929, a empresa mudou-se para Neuilly e passou a utilizar motores Lycoming de 6 e 8 cilindros, além de lançar um modelo menor, com motor de 1.086 cm³, projetado por Michel Irat, filho de Georges. No entanto, as vendas desses modelos foram fracas, levando a uma crise financeira.
Em 1934, a Georges Irat foi parcialmente adquirida pela Godefroy et Levecque, fabricantes do motor Ruby, e a produção foi transferida para Levallois. Lá, a empresa desenvolveu dois roadsters esportivos de tração dianteira: um com motor Ruby de 1.100 cm³, que obteve relativo sucesso, e outro com um motor Lycoming de 6 cilindros e 2.450 cm³, que teve baixa procura. Em 1938, foi lançado o modelo OLC 3, equipado com um motor Citroën de 1.911 cm³, suspensão independente com molas de borracha Neiman e quatro rodas independentes. Contudo, com o início da Segunda Guerra Mundial, após a produção de cerca de 200 unidades, a fabricação foi interrompida.
Durante a guerra, devido à escassez de combustíveis fósseis após a invasão alemã em 1940, a Georges Irat foi uma das primeiras montadoras a investir em carros elétricos. No verão de 1940, desenvolveu um pequeno veículo elétrico, lançado na Feira de Lyon em 1941. Projetado para ser leve, com um motor elétrico inovador, a ‘voiturette’ elétrica atingia 30-35 km/h e tinha autonomia de 90-100 km. Foram produzidos um conversível de dois lugares e uma minivan, mas a maior parte do espaço traseiro era ocupada pelo motor e pelas baterias. Inicialmente, os veículos foram usados por funcionários da empresa, mas pequenos lotes foram vendidos por um concessionário na Rue de Passy, em Paris. Após 1942, a produção foi suspensa devido à falta de materiais e mão de obra.
Após a guerra, a Georges Irat apresentou um protótipo no Salão de Paris de 1946, com motor de 1.100 cm³ e tração dianteira, que foi revisado em 1947 com um motor de 1.996 cm³ de 4 cilindros, duplo comando de válvulas e tração traseira. Apesar de reaparecer no Salão de 1949, o modelo não entrou em produção, possivelmente devido às restrições do governo francês, que controlava os materiais e priorizava carros para exportação.
Em 1950, Georges Irat anunciou a criação da ‘Voiture du Bled’ (VdB), produzida pela Société Chérifienne George Irat, em Casablanca, Marrocos. Esse veículo, semelhante a um jipe, tinha três lugares e um motor Panhard traseiro. Inicialmente, usava um motor de 610 cm³ com 28 cv, alcançando 80 km/h, com capacidade de subir inclinações de 40% e atravessar rios de até 60 cm. Em 1953, no Salão de Paris, foi exibida uma versão atualizada com motor de 745 cm³ e 33 cv, com autonomia de 1.500 km. Apenas alguns exemplares foram produzidos até o encerramento das atividades em 1953.
A Georges Irat deixou um legado modesto, mas notável, por sua inovação, especialmente com os carros elétricos durante a guerra e os roadsters de tração dianteira, que anteciparam tendências no design automotivo. Apesar dos desafios financeiros e das interrupções causadas pela guerra, a marca permanece como um exemplo de engenhosidade na história automotiva francesa.