A Züst foi uma fabricante de automóveis italiana que operou entre 1905 e 1917, fundada por Roberto Züst, um engenheiro e industrial suíço radicado na Itália. Com uma visão inovadora, a Züst destacou-se na produção de automóveis de luxo, veículos comerciais e carros de corrida, deixando uma marca notável na história automotiva, apesar de sua curta existência.
Origens e Fundação
Roberto Züst, nascido na Suíça, tornou-se sócio da fundição Güller & Croff em Intra, perto do Lago Maggiore, em 1871. Em 1893, assumiu o controle total, renomeando-a como Güller & Züst, e expandiu a produção para máquinas a vapor, turbinas, ferramentas de precisão e tratores. Após sua morte em 1897, seus cinco filhos assumiram o negócio e, em 1902, apresentaram um protótipo de veículo com motor a combustão. Em 1903, fundaram a Ing. Roberto Züst Fabbrica Italiana di Automobili S.A. em Milão, mas a produção de automóveis começou oficialmente em 1905.
Primeiros Modelos e Engenharia
Os primeiros carros da Züst eram máquinas imponentes e caras, equipadas com motores de 4 cilindros que variavam de 7.432 cc a 11.308 cc, projetados para a elite e inspirados em modelos da Mercedes-Benz da época. Em 1908, a empresa lançou um modelo com motor de 5.0 litros, mais acessível, ampliando seu mercado. Esses veículos eram conhecidos pela robustez e pela qualidade de construção, com chassis reforçados e suspensão avançada, ideais tanto para uso urbano quanto para competições.
Competição: A Corrida New York-Paris
O grande destaque da Züst foi sua participação na corrida New York-Paris de 1908, um desafio de 20.000 km que cruzava os Estados Unidos, Alasca, Sibéria e Europa. O Züst 28/45 HP, pilotado por Emilio Sirtori, com o mecânico Haaga e o jornalista Antonio Scarfoglio (do jornal Il Mattino), enfrentou condições extremas, incluindo ataques de lobos nas montanhas americanas e terrenos sem estradas, onde os carros seguiam trilhos de trem. O Züst terminou em terceiro lugar, atrás da Thomas Flyer (EUA) e da Protos (Alemanha), provando a confiabilidade de seus veículos. Infelizmente, o carro foi destruído por um incêndio acidental em um paddock na Inglaterra, causado por uma lâmpada de acetileno. A façanha foi documentada por Scarfoglio em seu livro ‘Il giro del mondo in automobile’ (1909).
A Züst também competiu na Targa Florio, na Sicília, reforçando sua reputação em corridas. A participação em eventos como esses era estratégica, pois um bom desempenho nas pistas impulsionava as vendas, uma crença comum entre fabricantes da época.
Brixia-Züst: Uma Ramificação
Em 1906, foi fundada a Brixia-Züst em Brescia (Brixia é o nome latino da cidade), focada em carros menores e mais acessíveis. O modelo mais notável foi o 10 HP de 1909, com um motor de 3 cilindros e 1.495 cc, que incluía versões exportadas para Londres como táxis. Outros modelos incluíam o 14/18 HP (2.297 cc) e o 18/24 HP (4.942 cc). A produção da Brixia-Züst terminou em 1912 devido a dificuldades financeiras, e a empresa foi absorvida pela Züst principal.
Expansão e Produção Comercial
Além de automóveis, a Züst fabricava caminhões e ônibus. Em 1908, recebeu um contrato para fornecer 600 caminhões ao exército italiano, consolidando sua relevância no setor comercial. Durante a Primeira Guerra Mundial, a empresa produziu ambulâncias e veículos de apoio para o exército. A Züst também tentou expandir sua presença internacional, com uma filial em Londres (Züst Motors Ltd.), mas vendeu apenas dez veículos no mercado britânico.
Declínio e Absorção pela OM
Apesar de seus sucessos, a Züst enfrentou dificuldades financeiras, agravadas pela concorrência com a FIAT e pela crise econômica pré-guerra. Em 1913, a produção em Milão foi interrompida, e a empresa concentrou esforços na Brixia-Züst até sua dissolução. O último modelo da Züst, o 15/25 HP (3.0 litros), foi produzido até outubro de 1917, quando a empresa foi adquirida pela Officine Meccaniche (OM). A OM continuou a fabricar 360 unidades do 15/25 HP antes de descontinuar a marca Züst.
Legado
A Züst é lembrada como uma pioneira da indústria automotiva italiana, combinando engenhosidade suíça com a paixão italiana por carros. Seus veículos, especialmente o 28/45 HP, demonstraram resistência em competições lendárias, enquanto a Brixia-Züst inovou com modelos mais acessíveis. Hoje, os carros Züst são raridades, valorizadas por colecionadores, e a marca aparece em catálogos históricos como um exemplo de ambição e inovação em uma era de gigantes como FIAT e Alfa Romeo.