ASTON MARTIN RAPIDE S (2019): O GRAND TOURER DE QUATRO PORTAS QUE TRANSFORMOU UM V12 EM EXPERIÊNCIA PARA TODA A FAMÍLIA
No final da década de 2010, a Aston Martin já havia estabelecido uma identidade própria entre os grandes fabricantes britânicos de automóveis esportivos, mas o Rapide S ocupava uma posição particularmente singular dentro dessa história. Surgido em 2013 como evolução do Rapide, ele representava a interpretação da Aston Martin para um grand tourer de quatro portas e quatro lugares, combinando a elegância tradicional da marca com desempenho digno de um verdadeiro esportivo. Seu desenho partia da arquitetura VH, a mesma família estrutural utilizada em modelos como DB9, DBS e Vantage, mas recebia uma carroceria longa, baixa e elegantemente esculpida, com as famosas portas traseiras e uma silhueta que escondia muito bem sua vocação familiar.
É importante fazer uma pequena ressalva em relação ao ano de 2019. A própria Aston Martin atualmente classifica oficialmente o Rapide S como modelo de 2013 a 2018, enquanto registros de mercado mostram exemplares fabricados ou registrados pela primeira vez em 2019. Portanto, quando se fala em ‘Rapide S 2019’, trata-se de um exemplar final da série, registrado nesse ano, e não de uma nova geração ou atualização específica apresentada como modelo 2019. O repertório mecânico dos últimos Rapide S permanecia baseado no mesmo excepcional V12 naturalmente aspirado de 5.935 cm³.
Sob o longo capô trabalhava um V12 de 6.0 litros, totalmente em liga de alumínio, com duplo comando de válvulas por bancada e 48 válvulas, capaz de entregar 560 cv a 6.650 rpm e 630 Nm de torque a 5.500 rpm. A alimentação atmosférica fazia com que a resposta do acelerador e a progressão das rotações fossem parte importante da experiência, enquanto o sistema de escapamento proporcionava ao motor uma sonoridade que se tornou uma das marcas registradas do Rapide S. A transmissão era a Touchtronic III automática de 8 velocidades, controlada eletronicamente e dotada de comandos manuais, instalada na traseira em configuração transaxle. Com isso, a Aston Martin conseguia concentrar os principais componentes mecânicos dentro do entre-eixos e alcançar uma distribuição de massas próxima do ideal, favorecendo estabilidade e agilidade.
O resultado era impressionante para uma máquina com mais de cinco metros de comprimento. O Rapide S podia acelerar de 0 a 100 km/h em 4.4 segundos e alcançar 327 km/h, números que o colocavam muito mais próximo de um coupé esportivo do que dos tradicionais sedans de luxo. A suspensão independente utilizava braços duplos nas quatro rodas, molas helicoidais, barras estabilizadoras e amortecedores adaptativos monotubo, enquanto os freios dianteiros empregavam enormes discos dual-cast de 400 mm com pinças de seis pistões, acompanhados por discos traseiros de 360 mm com pinças de quatro pistões. Rodas de 20 polegadas e pneus Bridgestone Potenza completavam o conjunto.
Apesar de toda essa capacidade dinâmica, o Rapide S não abandonava a proposta de ser um Aston Martin para viagens longas. O habitáculo acomodava quatro adultos em assentos individuais, com acabamento artesanal em couro, madeira, fibra de carbono e outros materiais selecionados. A traseira podia ser reorganizada para ampliar a capacidade de carga, enquanto o porta-malas de 317 litros podia chegar a 886 litros com os bancos traseiros rebatidos. Era uma solução bastante característica da Aston Martin: transformar um automóvel de alto desempenho em um GT capaz de transportar passageiros e bagagem sem abrir mão da personalidade de um carro esportivo.
O Rapide S também acabou representando o último grande momento do V12 naturalmente aspirado da Aston Martin em um modelo de quatro portas antes da transição da indústria para motores turboalimentados e eletrificação. Enquanto a marca apresentava em 2018 o ainda mais extremo Rapide AMR, com 603 cv, e em 2019 mostrava ao mundo o elétrico Rapide E, o Rapide S convencional permanecia como uma síntese extremamente pura da filosofia Aston Martin: carroceria elegante, quatro lugares utilizáveis, construção sofisticada e um enorme V12 trabalhando sem auxílio de turbocompressor.
Assim, um Aston Martin Rapide S 2019 pode ser visto como um dos últimos representantes de uma espécie muito particular de automóvel: um grand tourer britânico de quatro portas capaz de ultrapassar os 320 km/h, mas que ainda conservava a atmosfera artesanal, a mecânica tradicional e a sonoridade de um grande V12 aspirado. Pouco antes de a eletrificação começar a redesenhar completamente o futuro da Aston Martin, o Rapide S oferecia uma última oportunidade de combinar luxo, espaço e desempenho através de uma receita mecânica que já estava desaparecendo.