TRIUMPH TR250 (1968): O CHARME BRITÂNICO E A SUAVIDADE DE UM SEIS-CILINDROS
Na segunda metade da década de 1960, a Triumph era um dos fabricantes britânicos mais reconhecidos no segmento dos pequenos esportivos conversíveis. Seus modelos da família TR haviam conquistado admiradores em diferentes mercados, especialmente nos Estados Unidos, onde roadsters compactos, de mecânica robusta e condução envolvente encontravam um público bastante receptivo. Em 1968, a marca apresentou uma interessante evolução dessa fórmula: o Triumph TR250, um conversível que combinava o tradicional desenho britânico com um novo motor de 6 cilindros em linha, maior suavidade de funcionamento e uma personalidade mecânica diferente daquela encontrada nos seus antecessores.
A origem do TR250 está diretamente relacionada ao desenvolvimento do TR4A, lançado em 1965. Projetado por Giovanni Michelotti, o TR4A havia introduzido importantes melhorias em relação ao TR4, especialmente a suspensão traseira independente, que proporcionava maior conforto e melhor comportamento dinâmico. A Triumph decidiu então ampliar a capacidade mecânica da família, substituindo o tradicional quatro-cilindros por um moderno seis-cilindros de 2.5 litros. Dessa evolução nasceram dois modelos praticamente idênticos: o TR5, destinado principalmente aos mercados europeu e britânico, e o TR250, desenvolvido especificamente para atender às exigências de emissões dos Estados Unidos e do Canadá.
O TR250 preservava praticamente toda a identidade visual do TR4A. Sua carroceria apresentava proporções compactas, capô alongado, para-brisa relativamente baixo, traseira curta e linhas elegantes, características que definiam os roadsters britânicos daquele período. A dianteira recebia uma grade horizontal e para-choques cromados, enquanto o detalhe mais característico da versão norte-americana era a faixa decorativa prateada transversal sobre o capô e os para-lamas dianteiros, conhecida como speed stripe. As rodas de aço com calotas de desenho esportivo eram de série, enquanto rodas raiadas estavam disponíveis como opção. A capota de lona retrátil permitia transformar rapidamente o automóvel em um conversível aberto, reforçando sua vocação para passeios e viagens em estradas sinuosas.
O habitáculo mantinha a atmosfera clássica dos esportivos ingleses. O painel apresentava instrumentos circulares Smiths, com velocímetro, conta-giros e indicadores auxiliares distribuídos diante do condutor. Os bancos individuais ofereciam bom apoio para a proposta do automóvel, enquanto o volante de três raios, os comandos simples e os revestimentos em vinil ou couro reforçavam sua personalidade esportiva. Apesar das dimensões reduzidas, o TR250 proporcionava uma posição de condução agradável e uma experiência bastante envolvente.
A principal novidade estava sob o capô. O modelo utilizava um seis-cilindros em linha de 2.498 cm³, com bloco e cabeçote de ferro fundido, comando de válvulas no bloco e válvulas no cabeçote (OHV). A alimentação era realizada por dois carburadores Zenith-Stromberg, solução adotada para atender às regulamentações norte-americanas de emissões. A potência anunciada ficava entre 105 e 115 cv, conforme a referência e o padrão de medição utilizado, enquanto o torque alcançava aproximadamente 194 Nm a 3.000 rpm. A transmissão manual de 4 velocidades podia receber sobremarcha Laycock de Normanville, um equipamento particularmente interessante para viagens rodoviárias.
A escolha dos carburadores representava a principal diferença mecânica em relação ao Triumph TR5. Este último utilizava injeção mecânica Lucas e desenvolvia 150 cv, mas seu sistema de alimentação não atendia às exigências de emissões dos Estados Unidos. Assim, a Triumph criou o TR250 como uma alternativa específica para a América do Norte, sacrificando parte da potência em favor da conformidade ambiental e da simplicidade de manutenção. Curiosamente, essa versão acabou conquistando uma identidade própria entre os admiradores da marca.
O chassi mantinha a tradicional construção separada da carroceria, com estrutura de aço e suspensão independente nas quatro rodas. Na dianteira, eram utilizados braços triangulares e molas helicoidais, enquanto a traseira empregava braços semissobrepostos e molas helicoidais. Os freios contavam com discos na dianteira e tambores na traseira, e a direção de pinhão e cremalheira proporcionava respostas diretas. Com aproximadamente 1.030 kg, o TR250 oferecia comportamento equilibrado e uma condução bastante agradável, especialmente em estradas sinuosas. Sua velocidade máxima ficava próxima de 175 km/h, com aceleração de 0 a 96 km/h em aproximadamente 10.6 segundos.
A trajetória comercial do TR250 foi relativamente curta. Produzido entre julho de 1967 e setembro de 1968, teve um total de 8.484 unidades, praticamente todas destinadas aos Estados Unidos e ao Canadá. Sua substituição ocorreu com a chegada do Triumph TR6, apresentado no final de 1968, que adotava uma carroceria redesenhada pela empresa alemã Karmann, mas preservava boa parte da arquitetura mecânica do TR250 e do TR5.
O Triumph TR250 de 1968 ocupa um lugar interessante na história dos esportivos britânicos. Foi um modelo de transição, responsável por introduzir o seis-cilindros de 2.5 litros na tradicional família TR para o mercado norte-americano, preservando o charme visual dos roadsters anteriores. Hoje, sua produção limitada, a mecânica característica e a combinação de simplicidade e elegância fazem dele um clássico bastante apreciado pelos colecionadores de automóveis britânicos.

























































