BENTLEY 3.5 LITRE DERBY DROPHEAD COUPÉ (1934): O NASCIMENTO DE UM NOVO CONCEITO DE LUXO ESPORTIVO
A história da Bentley entrou em uma nova fase no início dos anos 1930, após a aquisição da empresa pela Rolls-Royce, em 1931. A mudança de controle não apagou a tradição esportiva associada ao nome Bentley, mas abriu caminho para uma interpretação mais refinada de seus automóveis. O primeiro resultado dessa nova etapa foi o Bentley 3.5 Litre, apresentado em 1933 e fabricado na unidade da Rolls-Royce em Derby, na Inglaterra. Nascia, assim, a linhagem conhecida como Derby Bentleys, que combinava desempenho vigoroso, conforto superior e funcionamento mecânico silencioso.
O modelo de 1934, em sua configuração Drophead Coupé, expressava particularmente bem essa filosofia. Em vez de fornecer um automóvel completo com carroceria padronizada, a Bentley comercializava o chassi rolante equipado com motor e transmissão, permitindo que empresas especializadas criassem carrocerias de acordo com as preferências dos compradores. Entre esses encarroçadores estavam nomes importantes da tradição britânica, como Park Ward, James Young, Thrupp & Maberly e outras casas artesanais. Por isso, dois Bentley 3.5 Litre do mesmo ano podiam apresentar diferenças marcantes de estilo, acabamento e configuração. O Drophead Coupé era a interpretação conversível desse grand tourer, reunindo a proteção de uma capota fechada à possibilidade de desfrutar a condução ao ar livre.
Visualmente, o Bentley 3.5 Litre destacava-se pela longa dianteira, pela tradicional grade vertical com o emblema alado, pelos faróis circulares e pelos para-lamas de linhas fluidas. O chassi de estrutura rebaixada em dois níveis permitia montar carrocerias mais baixas e elegantes, enquanto a capota de tecido e os acabamentos em couro e madeira criavam um ambiente sofisticado. Dependendo do encarroçador, o estepe podia ficar exposto na traseira ou integrado à carroceria, e as rodas raiadas ou os discos de acabamento conferiam personalidades distintas a cada exemplar. O modelo documentado pela RM Sotheby's com carroceria Park Ward, por exemplo, apresentava quatro lugares, estepe traseiro fechado e uma configuração que combinava sobriedade e esportividade.
Sob o capô, o motor de 6 cilindros em linha derivava de uma unidade desenvolvida pela Rolls-Royce para o modelo 20/25, mas recebeu especificações próprias da Bentley, incluindo taxa de compressão mais elevada, comando de válvulas de perfil mais esportivo e dois carburadores SU. Embora comercializado como 3.5 Litre, o propulsor tinha 3.669 cm³ de cilindrada e entregava aproximadamente 112 a 117 cv. A transmissão manual de 4 velocidades possuía sincronização nas marchas superiores, enquanto os freios mecânicos assistidos por servo e a suspensão com molas semielípticas nas quatro rodas contribuíam para a condução refinada. A velocidade máxima aproximava-se de 145 a 150 km/h em configurações favoráveis.
A reputação de Silent Sports Car - o esportivo silencioso - não era apenas um slogan publicitário. A proposta consistia em oferecer acelerações vigorosas, capacidade para percorrer longas distâncias e comportamento previsível sem o ruído e a aspereza associados a muitos esportivos da época. O 3.5 Litre também foi um sucesso comercial: 1.177 unidades foram produzidas entre 1933 e 1936, com carrocerias fornecidas por algumas das mais renomadas casas britânicas e europeias. Em 1936, o modelo daria lugar ao 4.25 Litre, de maior cilindrada, que continuaria a desenvolver a fórmula dos Derby Bentleys.
O Bentley 3.5 Litre Derby Drophead Coupé de 1934 permanece como um dos exemplos mais representativos da transformação da marca durante o período entre guerras. A tradição esportiva da Bentley encontrou na precisão industrial da Rolls-Royce e na arte dos encarroçadores uma nova expressão de luxo, menos austera e mais acessível ao condutor que desejava dirigir seu próprio automóvel, em vez de simplesmente ser conduzido por um chofer.

























