BENTLEY 4.25 LITRE VANDEN PLAS SPORTS TOURER (1936): A FORÇA BRITÂNICA VESTIDA PELA ALTA-COSTURA AUTOMOBILÍSTICA
Em 1936, a Bentley aperfeiçoou a fórmula dos seus chamados Derby Bentleys, os automóveis desenvolvidos sob a direção da Rolls-Royce e produzidos na fábrica de Derby. O novo Bentley 4.25 Litre Vanden Plas Sports Tourer nasceu da combinação entre um motor de maior cilindrada, um chassi de comportamento refinado e uma carroceria aberta concebida para quem desejava viajar rapidamente sem abrir mão da elegância. Era a continuidade de uma tradição que associava o nome Bentley à condução esportiva, agora acompanhada pelo silêncio mecânico e pelo conforto característicos da engenharia da Rolls-Royce.
A principal novidade estava sob o longo capô. O motor de 6 cilindros em linha passou dos 3.669 cm³ do 3.5 Litre para 4.257 cm³, graças ao aumento do diâmetro dos cilindros. A mudança foi introduzida em março de 1936 para compensar o peso crescente das carrocerias mais elaboradas e preservar o desempenho diante de concorrentes cada vez mais sofisticados. Com dois carburadores SU e válvulas no cabeçote, o novo propulsor desenvolvia aproximadamente 125 cv a 4.500 rpm, oferecendo maior elasticidade e força nas rotações intermediárias. A transmissão manual de 4 velocidades, a tração traseira e os freios a tambor com assistência por servo completavam um conjunto projetado para longas viagens em ritmo elevado.
A carroceria Vanden Plas conferia ao modelo uma identidade visual distinta. Com quatro lugares, para-brisa baixo em algumas versões, para-lamas pronunciados e rodas de acabamento esportivo, o Sports Tourer privilegiava a condução ao ar livre e a experiência de viajar por estradas rurais. A construção artesanal permitia combinar painéis metálicos e estruturas tradicionais, com atenção especial às proporções, ao acabamento e à acomodação dos ocupantes. Alguns exemplares receberam detalhes como painel de alumínio polido, rodas parcialmente carenadas e estepes montados nas laterais dianteiras, compondo uma aparência mais próxima à dos carros de turismo esportivo do que à dos sedans formais.
A exclusividade também fazia parte da história dessa configuração. Um exemplar documentado pela RM Sotheby’s, de chassi B138GA e motor K6BW, foi entregue ao primeiro proprietário em Liverpool, em 19 de maio de 1936. Sua carroceria aberta, identificada pelo desenho 3441, foi a segunda desse tipo construída pela Vanden Plas para o chassi 4.25 Litre, e apenas 12 unidades desse desenho específico foram produzidas. O automóvel teve uma longa trajetória, participou de eventos automobilísticos históricos e recebeu reconhecimento no concurso de elegância de Pebble Beach em 2009. Esse registro ilustra a raridade das configurações esportivas abertas da Bentley, embora não represente necessariamente toda a produção de carrocerias Vanden Plas para o modelo.
A dirigibilidade era outro dos grandes atributos do 4.25 Litre. O chassi utilizava suspensão por molas semielípticas, eixo rígido traseiro, amortecedores hidráulicos e freios a tambor com Servo assistência. A distância entre eixos de aproximadamente 3.20 metros contribuía para a estabilidade em estrada, enquanto o motor de 6 cilindros privilegiava a entrega progressiva de força. Com velocidade máxima próxima de 155 km/h em configurações favoráveis, o Bentley podia viajar em ritmo elevado para os padrões da época, sem exigir do condutor o esforço constante característico de muitos automóveis esportivos contemporâneos.
O Bentley 4.25 Litre Vanden Plas Sports Tourer de 1936 sintetiza, assim, a filosofia dos Derby Bentleys: desempenho sem aspereza, luxo sem ostentação excessiva e exclusividade proporcionada pela carroceria artesanal. Em uma década marcada pela evolução acelerada do automóvel, ele oferecia uma experiência de condução que conciliava a tradição esportiva da Bentley com a engenharia refinada da Rolls-Royce.

































































































































































