LANCIA FLAVIA SPORT ZAGATO (1965): A OUSADIA ITALIANA EM UMA CARROCERIA DE ALUMÍNIO
No início dos anos 1960, a Lancia seguia um caminho próprio na indústria automobilística italiana, combinando soluções técnicas pouco convencionais com uma tradição de engenharia refinada. A família Flavia, apresentada em 1960, trouxe uma configuração especialmente avançada para a época: motor boxer de 4 cilindros, tração dianteira e freios a disco nas quatro rodas. Em 1962, essa plataforma deu origem a uma interpretação esportiva criada pela Carrozzeria Zagato, conhecida por desenvolver carrocerias leves e aerodinâmicas para automóveis de competição e modelos exclusivos. Em 1965, o Flavia Sport Zagato já oferecia o motor de 1.8 litros, consolidando uma combinação singular de tecnologia Lancia e desenho artesanal milanês.
A carroceria, desenhada por Ercole Spada, distinguia-se das linhas mais tradicionais dos coupés italianos da época. O perfil baixo e alongado, o capô relativamente curto, a traseira fastback e as superfícies arredondadas davam ao modelo uma aparência quase futurista. As amplas janelas laterais traseiras, que se prolongavam visualmente em direção ao teto, eram um dos detalhes mais característicos do projeto. Construída em alumínio, a carroceria contribuía para reduzir o peso e favorecia a agilidade do conjunto. O interior acomodava dois ocupantes dianteiros e oferecia o acabamento funcional de um esportivo concebido para ser conduzido, sem abrir mão de soluções elegantes.
A mecânica era tão peculiar quanto o desenho. O motor boxer de 4 cilindros opostos, instalado longitudinalmente na dianteira, tinha 1.800 cm³, comando de válvulas no cabeçote e duas válvulas por cilindro, com transmissão manual de 4 velocidades integrada ao conjunto motriz e tração dianteira. Na versão com dois carburadores Weber, a potência era de aproximadamente 105 cv, enquanto a versão equipada com injeção mecânica Kugelfischer entregava cerca de 102 cv - valores que variam conforme o padrão de homologação utilizado. Embora a potência não fosse extraordinária, o baixo peso e a distribuição compacta dos componentes contribuíam para um comportamento dinâmico interessante.
A suspensão dianteira utilizava braços triangulares, enquanto a traseira recorria a um eixo rígido. Os freios a disco nas quatro rodas eram uma característica avançada para um esportivo dessa categoria, reforçando a preocupação da Lancia com a segurança e a capacidade de controle. Com aproximadamente 4.46 metros de comprimento e entre-eixos de 2.48 metros, o Flavia Sport Zagato mantinha proporções de grand turismo, mas a carroceria leve e a tração dianteira lhe conferiam personalidade própria. A versão com injeção mecânica, introduzida em 1965, era particularmente rara: registros especializados indicam apenas 32 unidades dessa configuração.
A produção do Flavia Sport Zagato terminou em 1967, após uma trajetória marcada pela exclusividade. Os números variam entre fontes e critérios de contagem, mas a família é geralmente registrada com algumas centenas de exemplares, incluindo as versões de 1.5 e 1.8 litros e as variantes de injeção. Seu papel histórico não depende de grandes volumes ou de números impressionantes de potência: o modelo demonstrou como a engenharia pouco convencional da Lancia podia encontrar na criatividade da Zagato uma expressão visual distinta. O resultado foi um coupé raro, leve e tecnicamente original, representativo de uma época em que os pequenos fabricantes italianos ainda podiam experimentar soluções muito diferentes das fórmulas dominantes.
O Lancia Flavia Sport Zagato de 1965 permanece como um exemplo expressivo da originalidade automobilística italiana: um esportivo que privilegiava leveza, aerodinâmica e soluções mecânicas próprias, em vez de simplesmente buscar mais cilindros ou potência. Sua raridade e seu design inconfundível fazem dele um capítulo especial na história conjunta da Lancia e da Zagato.


















































