A Gumpert Sportwagenmanufaktur GmbH foi fundada em 2004, em Altenburg, Alemanha, por Roland Gumpert, um engenheiro com vasta experiência no automobilismo. Durante sua gestão na Audi Sport, Gumpert contribuiu para 25 vitórias em rallys do Campeonato Mundial de Rally e quatro títulos mundiais, incluindo o desenvolvimento do lendário Audi Quattro.
Após deixar a Audi e retornar da China, onde atuou como chefe de vendas e marketing da joint-venture Audi-VW, Gumpert foi abordado por Roland Meyer, fundador da Motoren Technik Mayer, para desenvolver um protótipo de carro esportivo. A Audi aprovou o projeto com a condição de que o veículo fosse um produto de série, não apenas um protótipo. Assim nasceu a Gumpert Sportwagenmanufaktur.
O principal objetivo de Gumpert era criar um supercarro que oferecesse desempenho de pista, mas fosse homologado para as ruas. O desenvolvimento do Gumpert Apollo começou com o designer Marco Vanetta, que elaborou os primeiros esboços e um modelo em escala 1:4 em 2002. Com apoio da Universidade Técnica de Munich e da Universidade de Ciências Aplicadas de Ingolstadt, o projeto envolveu simulações computacionais, testes em túnel de vento e construção de dois protótipos. A produção do Apollo teve início em outubro de 2005, marcando a estreia de um carro que rapidamente ganhou notoriedade por sua performance extrema.
O Gumpert Apollo é um supercarro de motor central-traseiro, tração traseira e construção leve, com chassi tubular de cromo-molibdênio e carroceria de fibra de vidro ou carbono opcional, pesando entre 1.100 e 1.200 kg. Seu motor, um V8 4.2 litros biturbo de origem Audi, entregava entre 650 cv (versão básica), 760 cv (Apollo S) e até 993 cv (Apollo R, exclusivo para pistas). Com aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 2.9 segundos e velocidade máxima de 360 km/h, o Apollo se destacou por sua engenharia precisa e aerodinâmica funcional, capaz de gerar downforce suficiente para, teoricamente, rodar de cabeça para baixo em um túnel a 306 km/h (embora isso nunca tenha sido testado).
O Apollo ganhou fama em 2009, quando o Apollo Sport, pilotado por Florian Gruber, cravou o tempo de 7:11.57 no circuito de Nürburgring Nordschleife, registrado pela revista Sport Auto. Esse tempo o colocou como o carro de produção mais rápido da pista na época, superando ícones como Pagani Zonda e Maserati MC12, embora tenha sido superado pelo Radical SR8 (que alguns não consideram um carro de produção devido à sua natureza limitada). O Apollo também brilhou no programa britânico Top Gear, onde, em 2008, estabeleceu um recorde de volta de 1:17.1 no circuito de testes, mantido por dois anos até ser superado pelo Bugatti Veyron Super Sport.
A Gumpert também explorou inovações, como o Apollo Hybrid, apresentado nas 24 Horas de Nürburgring de 2008. Equipado com um motor V8 3.3 litros biturbo acoplado a um motor elétrico de 100 kW, o modelo entregava até 630 cv e demonstrava a capacidade da empresa de inovar em tecnologias híbridas.
Apesar do sucesso técnico, a Gumpert enfrentou dificuldades financeiras, agravadas pela crise econômica europeia de 2009. Em 2012, a empresa quase fechou as portas, mas foi salva temporariamente por investidores privados. Em 2013, porém, a Gumpert pediu falência, encerrando a produção do Apollo. A empresa produzia cerca de 10 unidades por ano, com o Apollo S custando aproximadamente 606.200 euros (mais de 1.5 milhão de reais na época), e chegou a oferecer entregas no Brasil.
Em 2016, a empresa foi adquirida pelo consórcio de Hong Kong Ideal Team Venture, também proprietário da marca De Tomaso. Renomeada Apollo Automobil GmbH, a empresa deixou de contar com Roland Gumpert, que saiu em novembro de 2016. Sob nova gestão, a Apollo lançou o Apollo Arrow no Salão de Genebra de 2016, com um V8 biturbo de 4.0 litros e 986 cv, e, em 2017, apresentou o Apollo Intensa Emozione (IE), equipado com um V12 Ferrari de 6.3 litros e 780 cv, marcando uma nova fase com design mais agressivo e foco em exclusividade.
Legado
O Gumpert Apollo marcou a indústria automotiva como um supercarro ‘bruto’ e focado em desempenho, sem os ornamentos estéticos de marcas italianas como Ferrari ou Lamborghini. Apesar de seu design polêmico, descrito como funcional e ‘teutônico’, o Apollo conquistou entusiastas por sua engenharia e tempos de volta impressionantes. A transição para Apollo Automobil representa uma tentativa de manter o espírito de inovação de Roland Gumpert, embora a marca original tenha encerrado sua trajetória em 2013. Hoje, o Apollo IE e outros modelos continuam a tradição de criar supercarros exclusivos, mas o Gumpert Apollo permanece como um ícone de uma era de ousadia automotiva.